O escravo no mundo romano

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  • Publicado : 28 de maio de 2012
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O ESCRAVO NO MUNDO ROMANO

O referido relatório fará uma análise crítica sobre a série Roma produzida em 2006, fazendo um recorte sobre o tema:O escravo no mundo romano; para auxiliar na discussão da temática e relacioná-la com o texto utilizarei alguns autores como referência. Neste assunto serãoevidenciadas as várias formas de escravidão que havia em Roma; as relações entre Senhor e escravo ecomo o escravo poderia ser visto como “agente ativo” na sociedade romana.
Ainda como discussão, falarei da utilização do cinema como ferramenta tanto para o ensino quanto para a construção da História, destacando seus pontos positivos e negativos.

Ao trabalhar com escravidão antiga é necessário explorar o conceito de escravidão. Isto se faz pertinente devido às diferenças que há entreescravidão do mundo antigo e o mundo moderno. Os autores tentam fazer uma ponte desses dois mundos, destacando não só as diferenças, que são consideráveis em quantidades, mas tambémem semelhanças, visto que a escravidãofoi permanente em várias civilizações, passando por todas as idades desde a antiga até a contemporânea e sendo moldada por cada sociedade.
No Brasil, quando falamos de escravidãolembramos logo dos negros, como se ser escravo fosse sinônimo de ser negro, essa questão da raça ser pré - requisito para ser escravo já não se encaixa nos moldes da sociedade romana. No livro Escravidão antiga e ideologia moderna de I. Finley encontramos a seguinte citação: [em função das “exigências dos tempos”, cada “nova interpretação da escravidão declara-se mais anti- racista que a anterior”, ouseja, pesquisar sobre escravidão seja ela antiga ou moderna não dá para se embasar apenas na diferenças entre brancos e negros por mais que a história da escravidão nas Américas nos aponte a questão das raças como um fator óbvio.
È importante colocar que em Roma a escravidão não era vista como uma questão moral, a escravidão já fazia parte da sociedade e não havia uma consciência de desumanizaçãodos escravos, logo era impensável a idéia de abolição. Fábio Duarte Joly faz uma análise crítica sobre essa questão, ele nos diz em a Escravidão da Roma Antiga que “foi apenas a partir de 1750 que sua legitimidade passou a ser questionada e sua abolição irrestrita e defendida.” Essa crítica se embasava no tripé formado pelo “cristianismo que equiparava a escravidão ao pecado, pelos filósofos comoMontesquieu que negaram que o trabalho escravo fosse conforme ao direito natural e, portanto, legítimo.” Por fim Joly cita Adam Smith, este por sua vez, “atacou os fundamentos econômicos da escravidão, questionando sua eficiência e produtividade em comparação com o trabalho assalariado.” Entretanto nenhuma destas idéias antiescravistas norteava a sociedade de Roma.
Percebe-se que o conceito deescravo varia entre os autores, inclusive Duarte Joly, Yvon Thebert e I. Finley criticam Aristóteles por ele tratar a escravidão como um elemento natural, em seu livro Política ele diz:
“o homem é acima de tudo um animal político, o escravo é desprovido da faculdade de deliberar” “O modo de viver do cidadão implica em tempo livre, a scholé ou atenium, que lhe permite dedicar-se as atividadescriativas, a começar pela política; pelo contrário a condição do escravo é caracterizada pela ausência de tempo livre; como um animal doméstico, trabalha, e, para recobrar forças para o trabalho, come e dorme. Identifica-se com a sua função: para o Senhor é o mesmo que o boi para o pobre.
Este modo de ver a escravidão limita bastante as variantes que a escravidão pode ter, o conceito de escravo comosimples objeto ou propriedade não pode ser atribuído para Roma como totalidade, é necessário fazer uma análise das várias funções e relações que o escravo possuía no mundo romano. Os escravos rurais trabalhavam na agricultura,biltolados no mesmo trabalho, sem tempo para pensar ou mesmo fazer o uso da palavra, tornando-se o próprio instrumento de trabalho e não o trabalhador. Esses escravos se...
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