O banquete

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  • Publicado : 20 de maio de 2012
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O Banquete ou do Amor, um dos diálogos mais ricos de Platão, trata-se de uma narrativa, onde são expostos vários discursos de louvor e celebração ao Amor.
Fedro, o primeiro a discursar, fala da inspiração do amor para a virtude, que é um dom e brota de si mesmo. E daí vem a felicidade entre os homens. Pois, a idéia do amor, é uma idéia em si mesma, e participa da idéia do Bem, e nessaparticipação se torna um com ela. Pausânias fala da duplicidade do amor, que pode corresponder à idéia de Outro que não seja o Bem, e que pode se manifestar no amante. Trata-se do amante popular, que ama o corpo mais que a alma, não é constante, e se prende a interesses não elevados.

Em seguida no discurso de Erixímaco, Eros, o amor, unificado ao Bem, é a essência de todas as coisas, pois através da arteda medicina, constata que o amor está presente em todos os seres. O Ser é a unidade de toda a multiplicidade reunida, passa da desordem para a ordem, estabelecendo a harmonia entre as partes. Na verdade fazem parte de uma composição, de um todo conecto e interligado. E o amor, faz a síntese, a unidade das contrariedades. Aristófanes, por sua vez, narra sobre os três gêneros da humanidade. Éramos umtodo, e a essa totalidade dá-se o nome de amor, era essa a nossa antiga natureza. Feita a divisão, o amor tornou-se um desejo, uma vontade de completar-se, está sempre na busca de algo que sabe que lhe falta. A união é a cura, a bem-aventurança e a felicidade. Por isso sendo os homens o amor em essência, buscam-no uns nos outros.
Na seqüência, Agatão faz uma exposição sobre a natureza do amor,de onde vêm tantos dons. E sua morada, segundo ele, está nos costumes e nas almas dos homens. O amor é virtuoso, pois é justo, temperante e corajoso. Tem domínio sobre si e dele surge toda espécie de bem, o mais belo e melhor possível. Mas, é na fala de Sócrates, narrado com um mito, que é demonstrada a essência do amor, o seu ser, a sua idéia. Diante do mito narrado há de se entender porque Eros,o Amor, nasceu esquecido de sua verdadeira origem. Pois, no estado de carência e sono foi gerado. Sua mãe pobre em recursos (Pênia), e seu pai Poros, completamente embriagado, adormecido, conseqüentemente inconsciente. E Eros tem carência daquilo que não lembra. Mas, a busca por si mesmo, pelo amor, é a busca pela verdade. Por aquilo que está esquecido. Lembrar significa preencher a falta, suprira carência. Tornar pleno aquilo que está faltando: o momento da geração do amor. Esse é o momento da verdade que estava oculta, no véu do sono do esquecimento. Afastando-se o véu, consuma-se o Bem, e a verdade aparece.

O nascimento do amor gera dor e sofrimento, pois não se sabe a si mesmo, está entre o saber, e o não saber, o ser e o não ser, a ordem e a desordem, o bem e o mal. Entre feio ebelo, rico e pobre, mortal e imortal. No mundo sensível vê-se dividido, daí o desejo constante de completar-se. Eros é o elo entre os dois mundos (Inteligível-Sensível); é intermediário, está entre o saber e a ignorância; entre a memória e o esquecimento. Eros quer descobrir sua verdadeira natureza. Tem sede de saber, e sua motivação está fixada nessa idéia de descobrir-se, encontrar-se, conhecer oque é em si mesmo. Esquecer é ficar preso às correntes do corpo, é perder sua liberdade. Eros está dividido, tem desejo da unidade. Eros quer apropriar-se do Bem, na união com o Ser amado.

O amor possui extremos, e é preciso que ele percorra os caminhos entre eles, para que possa reconhecer a sua verdadeira origem, e encontre a si mesmo. Eros pelo amor carnal, busca atingir a imortalidade noscorpos, pela continuação da espécie. A beleza que o amor busca nesse estágio, não é elevada, é passageira, inconstante e perecível com o corpo. O corpo é vontade, na busca do prazer e fuga da dor. Esse é o nível do amor corporal, onde Eros fere profundamente a alma. É quando o amor não é nobre. Nesse nível, pode-se dizer que o amor é puro egoísmo, individualista, cego e injusto, pois a beleza...
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