A violencia

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WebMosaica revista do instituto cultural judaico marc chagall v.2 n.2 (jul-dez) 2010
Da violência à religião: ida e volta1
jean meyer
Doutor em História, professor do Departamento de História,
do Centro de Investigación y Docencia Económicas (CIDE). México.
Traduzido do francês por Lucie Didio
resumo O autor examina como historiador a tese normalmente
aceita segundo a qual a religião,de modo particular na sua forma
monoteísta, está na origem do redobramento da violência (guerras
civis, mas também conflitos internacionais) no mundo
contemporâneo, principalmente desde o desaparecimento da
União Soviética. Ao reconhecer a presença histórica, mais ou
menos forte em certas épocas, do fator religioso entre as causas da
violência, ele defende a tese segundo a qual areligião não é a
causa única, nem mesmo a causa decisiva dessa violência coletiva.
Coletando seus exemplos de preferência no mundo cristão, ele
afirma que as guerras balcânicas (1991-2001) não são guerras
religiosas e que a religião desempenha nelas, quando muito, um
papel de “marcador” de identidade.
palavras-chave Religião, religião e violência, religião e conflitos,
religião eidentidade.
abstract The author takes a historian’s approach to
the currently accepted theory that religion, especially
monotheism, is responsible for renewed violence in the
contemporary world (both civil wars and international
conflicts) after the disintegration of the Soviet Union.
While recognizing the historical presence, to a greater
or a lesser degree, of the religious factor among thecauses of violence, the author defends the position that
religion is not the only, or even the principal cause of
that collective violence. Taking examples from the
Christian world, he argues that the Balkan wars of 1991-
2001 were not religious wars, and that here the role of
religion is at most an assertion of identity.
keywords Religion; Religion and Violence; Religion
andConflicts; Religion and Identity.
IreI contra a corrente da escola que explIca o redobramento da
violência contemporânea pela religião, “o retorno do sagrado”, “a revanche de Deus”.
Eu farei minha a tese de Jonathan Swift, pai de Guliver e decano anglicano da catedral
de Dublin: “Nós temos exatamente bastante religião para nos odiar, mas não o bastan-
te para nos amar”. O ano 1979, o da revolução(islâmica?) iraniana, início da revolução
(católica?) polonesa... Desde então e principalmente desde a queda do muro de Berlim,
cientistas políticos e internacionalistas afirmam que a ação política de base religiosa
pesa nos negócios mundiais como ela não o havia feito desde o século XVII. Samuel
Huntington (1996) privilegia o elemento religioso na sua guerra das culturas e MarkJuergensmeyer (1995, p. 379) escreve:
Um dos traços mais interessantes – alguns diriam perturbadores – do pós-Guerra Fria é o
ressurgimento da política religiosa. Ela paira como uma nuvem negra sobre o que muitos ve-
em como a quase vitória global da democracia liberal.
O grande público não vai tão longe e se contenta com uma série de imagens vio-
lentas: barbados queimando os livros de teologia“liberal” em Ekaterinemburgo, dego-
lando na Argélia ou no Egito, aprisionando as mulheres no Afeganistão, sérvios e cro-
atas destruindo suas respectivas igrejas, esperando queimar as mesquitas ou profanar Da violência à religião: ida e volta jean meyer
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WebMosaica revista do instituto cultural judaico marc chagall v.2 n.2 (jul-dez) 2010
os cemitérios judaicos etc.; a lista é longa. Bastaum exemplo linguístico. Na atualidade, quando se
vai a Ulster, fala-se sempre de católicos e de pro-
testantes; e nos Bálcãs, de católicos (croatas), orto-
doxos (sérvios), muçulmanos (bósnios, kosovares,
albaneses). Nomear é julgar e condenar.
O sociólogo põe em dúvida esse lugar comum
e o historiador acrescenta: “Cuidado com os ana-
cronismos!” Sebrenitsa, o massacre perpetrado...
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