A teoria do "mundo multipolar"

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  • Publicado : 27 de agosto de 2012
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A teoria do "mundo multipolar"
O mundo multipolar já existe, e se divide em três: os Estados poderosos (G7), liderados pelos EUA; as empresas transnacionais e os bancos; e a burocracia internacional que serve aos dois primeiros grupos

O colapso da União Soviética e a destruição do "sistema socialista" foram os acontecimentos mais marcantes do fim do século 20. Puseram um fim ao mundo bipolare ao "equilíbrio do medo", pilares de qualquer sistema de relações internacionais a partir da segunda guerra mundial. A partir do começo dos anos 90, o mundo entra numa situação nova e transitória, marcada pela "fluidez" e pela indeterminação: deixaram de existir muitas das antigas tendências, e as novas demoram para se cristalizar.
Até o momento falharam todas as tentativas de definir osfatores-chave do desenvolvimento de um novo sistema de relações internacionais. Levantam-se hipóteses, que merecem ser levadas em consideração, mas não permitem a avaliação do conjunto de mudanças em curso, nem de sua direção. Dentre elas, a da "multipolaridade", a da "globalização", a do "liberalismo", a do "conflito de civilizações", a da "balcanização do planeta" e, evidentemente, a mais célebre detodas, a do "fim da história". Uma das teorias mais controversas é a do "totalitarismo democrático global", de Alexandre Zinoviev, que prevê um mundo unipolar sob o controle de estruturas supranacionais. Entre as mais recentes, encontramos a do "diálogo das culturas", do presidente iraniano Mohamed Khatami.
A hegemonia norte-americana
Nossa atenção se deterá mais especificamente sobre uma dessasteorias: a do "mundo multipolar". Nascida no começo da década de 90 dos escombros do velho mundo, foi defendida principalmente pelo ex-secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, como alternativa ao sistema bipolar, caído em desuso. No entanto, os Estados Unidos logo se deram conta de que essa teoria representava uma faca de dois gumes. Por isso, prontamente a abandonaram, tanto naprática como na teoria, preferindo ações enérgicas que visavam consolidar o mundo unipolar, como prova com eloqüência a guerra contra a República Federativa da Iugoslávia, na primavera de 1999.
Os adversários da hegemonia norte-americana afirmam que, para chegar ao seu objetivo (praticamente alcançado) de dominação mundial, os Estados Unidos lançam mão de um vasto arsenal de meios: fragmentação dosgrandes Estados; apoio, com esse fim, às minorias étnicas "discriminadas" de religião muçulmana; recurso à ideologia dos "direitos humanos", inclusive o direito de auto-regulamentação nacional, para justificar guerras e intervenções "humanitárias".
A impotência da ONU
Diante dessa realidade, a teoria de um mundo multipolar encontrou, em muitos países do mundo, adeptos incomodados por essecomportamento dos Estados Unidos — especialmente as elites políticas da China, França, Índia e Rússia. Esses países avaliam que a adoção de certos aspectos de "multipolaridade" lhes permitiria melhor defender seus interesses nacionais.
A definição do conceito, no entanto, continua difícil. O que se entende por pólo: países, regiões, alianças regionais, organizações internacionais, multinacionais? E qualseria a esfera de competência de cada um, sua subordinação hierárquica, sua arquitetura? Ainda que o Estado-nação, independente e soberano, continue sendo a pedra de toque, sua própria concepção evoluiu. O Estado-nação sofre ataques tanto de partidários quanto de adversários do atual sistema de direito internacional, consagrado pela Carta da Organização das Nações Unidas (ONU), como demonstram onúmero de países que surgiram no mapa político mundial, as discussões acaloradas sobre as fronteiras e os limites da soberania.
Os críticos do atual status quo afirmam que o sistema da ONU torna-se cada vez mais impotente devido à mudança da natureza dos Estados, da relação de forças entre eles e do aparecimento de novos temas do direito internacional.
O surgimento de novos Estados
O...
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