A sociedade capitalista e as classes sociais

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  • Publicado: 26 de maio de 2012
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CAP. VIII
A SOCIEDADE CAPITALISTA E AS CLASSES SOCIAIS

O termo classe costuma ser empregado de muitas maneiras. Diz-se, por exemplo, "alguém tem classe", "classe política", "classe dos professores", etc. Essas são formas que o senso comum utiliza para caracterizar determinado tipo de comportamento ou para definir certos grupos sociais ou profissionais.
Sociologicamente, utiliza-se otermo classe na explicação da estrutura da sociedade capitalista com base na classificação ou hierarquização dos grupos sociais. Assim, quando se consideram as profissões, deve-se falar em categoria profissional dos professores, advogados, etc.
A sociedade capitalista é dividida em classes e, como tal, tem uma configuração histórico-estrutural particular. Nela está muito evidente que as relações eestruturas de apropriação (econômica) e dominação (política) definem a estratificação social. Os outros fatores de distinção e diferenciação, como a religião, a honra, a ocupação e a hereditariedade, apesar de existirem, não possuem a força que têm nos sistemas de castas e de estamentos. A produção e o mercado se tornaram os elementos mais precisos de classificação e mobilidade sociais. Assim, asclasses sociais expressam, no sentido mais preciso, a forma como as desigualdades se estruturam na sociedade capitalista.
Hierarquização e mobilidade
Pode-se afirmar que existem duas grandes maneiras, com suas variações, de pensar a questão das classes: considerando a posição dos indivíduos e grupos no processo de produção ou considerando a capacidade de consumo como fator de classificação. Noprimeiro caso, pode-se ter uma hierarquização dos grupos como a seguinte: classes dos proprietários de terras, burguesa (industrial, financeira), pequeno-burguesa ou média, trabalhadora ou operária. No segundo, tem-se: classe alta, média e baixa ou, então, variações como A, B, C, D e E.
Observa-se, assim, que a análise da estratificação de uma sociedade depende dos interesses do investigador edo critério utilizado na classificação dos grupos sociais. Entretanto, fica evidente que as sociedades modernas caracterizam-se, em grau variável, pelas desigualdades:
● Na apropriação da riqueza gerada pela sociedade, expressa normalmente pela propriedade e pela renda, mas que aparece também no consumo de bens;
● Na participação nas decisões políticas, manifestando-se pelo maior ou menorpoder que indivíduos e grupos têm de decidir, ou forçar decisões a seu favor, e de deter o poder econômico na sociedade;
● Na apropriação dos bens simbólicos, que se expressa no acesso à educação e aos bens culturais, como museus, teatro, livros, etc.
As questões que envolvem propriedade, renda, consumo, educação formal, poder e conhecimento, vinculadas ou não, definem a forma como asdiferentes classes participam da sociedade. Observadas diretamente ou pelos meios de comunicação, as desigualdades nas sociedades modernas, sejam estas desenvolvidas ou não, são incontestáveis, expressando-se na pobreza e na miséria.
A mobilidade social nas sociedades capitalistas é maior do que nas divididas em castas ou estamentos, mas não é tão ampla quanto pode parecer. As barreiras para aascensão social não estão escritas nem são declaradas abertamente, mas estão dissimuladas nas formas de convivência social.
Quando os trabalhadores começaram a se organizar e lutar por melhores condições de trabalho e de vida, abandonou-se o discurso de que os pobres deveriam ser deixados à própria sorte e procurou-se difundir a idéia de que todo indivíduo competente pode vencer na vida. A concepção deque o medo da fome incentiva ao trabalho foi substituída pelo otimismo da promoção do indivíduo pelo trabalho. Esforçando-se, os trabalhadores qualificados teriam a possibilidade de se converter em capitalistas. A célebre frase, publicada em 1888 na revista estadunidense The Nation, de orientação liberal, exemplifica bem esse pensamento: "Os capitalistas de hoje foram os trabalhadores de ontem...
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