A sexualidade ontem e hoje

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  • Publicado : 3 de novembro de 2011
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ENSAIOS HOMOERÓTICOS I
O Homoerotismo na antigüidade clássica
(...) “Sejamos mais precisos: melhor que de homossexualidade, deveríamos falar de relações entre pessoas do mesmo sexo. Deveríamos, então, empregar o termo homofilia. De fato, sem exacerbar o sentido do paradoxo, poderíamos até mesmo afirmar que a homossexualidade não existe na Grécia”.
Jean-Philippe Catonné
A sexualidade,ontem e hoje

No conjunto de ensaios que se seguirão a este, pretendo analisar historicamente com vocês como as várias (homo) sexualidades se configuraram ao longo do tempo através do uso da linguagem. Nesta jornada, iremos verificar como nossas crenças acerca das múltiplas sexualidades participaram na construção de um ideário lingüístico com força performativa, para falar da verdade do sujeitohomoerótico contemporâneo.
Partindo desta concepção, penso que de todos os seres vivos, o ser humano é o único que possui, entre tantas, duas características básicas que o distingue dos outros seres: a capacidade de raciocínio e a habilidade da fala, através da linguagem.
A linguagem nos propicia a comunicação seja através da palavra escrita, falada ou através de códigos, gestos ou sinais.Somos capazes, então, de nomear o que ainda não tem nome, de modificar e redescrever o que já foi nomeado, ou de dizer aquilo que não queremos dizer, já que “não somos senhores nem mesmo na nossa própria casa”.
Para aquilo que ainda não possui nome, logo, logo, conseguimos inventar palavras novas para determinados objetos, atos ou situações do cotidiano, de acordo com a nossa crença e moralvigentes, e compreendê-los a partir de então como uma verdade única e universal. E quando não temos a compreensão científica de determinado fenômeno, nossa tendência é procurar de imediato uma explicação lógica e daí, ou o aceitamos ou o reprimimos, afastando-nos o mais que possível, senão, exterminando-o.
Na época da inquisição, que se estendeu do século XIV até o século XVII, para aquilo quecientificamente ainda não se tinha compreensão causal do fato de algumas mulheres apresentarem comportamentos estranhos à maioria da população, a acusação era de bruxaria ou possessão diabólica contra essas mulheres, condenando-as a morrerem queimadas na fogueira.
No início do século XX, os mesmos fenômenos antes concebidos como bruxaria ou manifestações do diabo, poderiam ser explicados, por exemplo,como “ataques histéricos”, após o advento da psicanálise. O mesmo fato e duas explicações.
De acordo com o psicanalista Jurandir Freire Costa, em seu artigo “Homoerotismo: a palavra e a coisa”, “toda época produz crenças sobre a “natureza” do bem e do mal, do sujeito e do mundo, que aos olhos dos contemporâneos, sempre aparecem como óbvias e indubitáveis. Os séculos XIV, XV, XVI e XVII criaramas feiticeiras. E, porque a crença na bruxaria existia, existiam bruxas. As bruxas eram um efeito da crença na bruxaria. Sem a crença em bruxas, não haveriam mulheres que sentissem, agissem, se reconhecessem e fossem reconhecidas como bruxas”. Para compreender o que o autor fala, vejam o filme As Bruxas de Salém.

No que compete à sexualidade, a compreensão do fato sedá de modo semelhante.

Desde o século XIX acreditamos na divisão dos sujeitos em “homossexuais, bissexuais e heterossexuais”. Passamos a acreditar que há algo de universal em pessoas com determinadas características desejantes, e passamos a reclassificar a antigüidade a partir da compreensão do vocabulário sexual criado no século XIX.
Ora, na antigüidade greco-romana não havia a compreensãodo sexo a partir do que aprendemos nos últimos 200 anos. Portanto, enganamo-nos ao projetar hábitos mentais do presente na relação pederástica que havia na Grécia, semelhante à moderna relação homossexual dos nossos dias.
“Na Grécia antiga não existiam palavras para designar o que chamamos de “homossexualidade” e “heterossexualidade” porque simplesmente não existia a idéia de “sexualidade”. A...
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