A hora da estrela

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  • Publicado : 29 de junho de 2011
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1 - Quem sou eu? Porque escrevo?

Muitos de nós já tentamos inutilmente responder a essa pergunta: Quem sou eu? O ser humano, desde os primórdios, questiona sua posição no mundo e com a autora isso não é diferente. Ela criou Rodrigo S.M., o narrador personagem que exprime claramente a dúvida do “quem eu sou”: “Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isto é ser uma pessoa?”. Clariceconfunde-se várias vezes no decorrer da narrativa tanto com Rodrigo como com a personagem Macabéa e faz com que seus leitores também se confundam com suas personagens.

A personagem Rodrigo afirma que escreve por “força maior” e que essa força está na solidão. Ele se classifica como um homem que “tem mais dinheiro do que os que passam fome, o que faz de mim de algum modo desonesto”, portanto é possívelque Rodrigo tenha sentido necessidade de escrever a história de Macabéa na ânsia de denunciar o descaso da sociedade com a situação dos retirantes nordestinos e de alguma forma livrar-se da culpa de ter uma vida mais abastada.

Levemos em conta que Clarice viveu a imigração e depois a emigração, passou, portanto, duas vezes pela difícil tarefa de se adaptar a novos costumes e a exigências dasociedade.

2 - Procure nos pensamentos mais primitivos da personagem Macabéa, uma definição de sua personalidade.

Acreditamos que Macabéa é praticamente desprovida (ou possui uma personalidade fraca, sem autonomia?) de personalidade. Sua ignorância intelectual, de certa forma, a protege do mundo exterior. Sua compreensão de existência é quase nula o que a leva a ser medíocre. Ela “não possuipalavras para expressar a vida”. Não tem nenhuma consciência do que é viver, apenas vive. Sua inexpressividade é tamanha que ela pede desculpas quando é ofendida por alguém como se tivesse culpa por isso.

3 - Como seria o futuro de Macabéa caso ela não tivesse morrido atropelada? É possível imaginá-lo e descrevê-lo?

Acreditamos que o único final possível para Macabéa seja a morte, se nãopor atropelamento, por qualquer outro motivo, mas sempre a morte. A personagem nordestina de Clarice já nasce morta, ela apenas vegeta, sua personagem não tem sonhos ou perspectivas.

Rodrigo, quando cita um dos possíveis títulos (já que a obra possui vários) .Quanto ao Futuro. , já permite a nós leitores sua intenção ao final da narrativa. “Se em vez de ponto fosse seguido de reticências o títuloficaria aberto a possíveis imaginações vossas, porventura até malsãs e sem piedade”. Ele não nos dá o direito de pensar em outro fim para Macabéa, senão a morte. Sua narrativa é construída de forma a dificultar ao leitor outro fim para essa personagem tão sofrida.

4 – Imagine uma entrevista sua com Clarice Lispector. Que perguntas você faria a ela? Como você imagina as respostas?

V.V. –Clarice, que tipo de sentimento você espera despertar nos leitores com sua obra A Hora da Estrela?
C.L. – Na verdade escrevo tudo muito simples, eu sou simples, não sei escrever de outra forma. Escrevo o que quero e não o que as pessoas esperam que eu escreva. Escrevo para pessoas simples. O sentimento é algo único não é minha vontade que define o que o leitor sente e sim a história de vida dele.V.V. – Em A Hora da Estrela você faz um auto-retrato através de Rodrigo S.M.? Você se sente um escritor a espera da morte? É assim que você está se sentindo?
C.L. – Você conhece alguém que não viva a espera da morte? Sou alguém que tem consciência da morte. Eu morro a cada obra concluída e renasço em cada obra que inicio.

V.V. – Como você vê o futuro da literatura no Brasil?
C.L. –Acredito que o Brasil é um país tímido de leitores. Meus livros são lidos por universitários por obrigação. Isso não me deixa nem mais triste nem mais alegre. Escrevo por necessidade, como alguém precisa respirar para estar vivo, eu preciso escrever para estar viva e isso é o que sei fazer. Se minhas obras serão lidas não é minha preocupação. Me preocupo em me manter viva.

V.V. – O que você achou...
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