A hora da estrela

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A Hora da Estrela

de
Clarice Lispector
“Entre a palavra e o silêncio, entre o que diz e o que está implícito em seu dizer, situa-se o texto de Clarice.”
(Berta Waldman)




CLARICE



Clarice Lispector nasceu em 10 de dezembro de 1920, na pequena cidade de Tchetchelnik, na Ucrânia. Em 1925, a família veio para o Brasil, instalando-se em Alagoas,mudando-se depois para Pernambuco. Clarice passou sua infância em Recife.
Aos nove de idade, Clarice perdeu a mãe. Mais tarde, já na década de 40, morando no Rio de Janeiro, entrou para a Faculdade Nacional de Direito, trabalhando, ao mesmo tempo, como redatora da Agência Nacional. Em seguida, passou a trabalhar no jornal A noite e começou a escrever com muita angústia o romance Perto do coraçãoselvagem. A angústia vinha mesmo em função da própria escrita do romance, pois as idéias a perseguiam a qualquer hora, na rua, no jornal, na faculdade. Este método então passou a marcá-la para sempre, como mais tarde comentaria sua biógrafa e amiga, Olga Borelli: Clarice tomava notas em lanchonetes, em guardanapos; no cinema, em maços de cigarros. Clarice ia construindo suas obrasfragmentariamente.
Em 1943, terminou Perto do coração selvagem, publicando-o no ano seguinte. Também 1944 viria a ser o ano de sua formatura e o de seu casamento com um colega de faculdade: Maury Gurgel Valente. Pelo fato de o marido ter seguido a carreira diplomática. Clarice viveu cerca de quinze anos fora do Brasil. Em 1946, publicou O Ilustre ; em 1949, A cidade sitiada.
Em 1949, Clariceteve o seu primeiro filho, Pedro. Por ter de escrever e cuidar do filho ao mesmo tempo, inventou um novo sistema de trabalho: com a máquina no colo, sentada no sofá, escrevia enquanto cuidava do bebê. Passou a escrever contos e publicou os primeiros com o título de Alguns contos, em 1952.
Seu segundo filho, Paulo, nasceu em Washington, onde a escritora morou durante oito anos. Em 1956,publicou A maçã no escuro. Lançou, em 1960, a coletânea de contos Laços de família e, ironicamente, separou-se do marido.
De volta ao Brasil, passou a morar no Rio. Várias vezes reeditada e nessa época traduzida para o inglês, o francês, o alemão, o tcheco e o espanhol, Clarice tornou-se uma escritora plena. Em 1964, publicou dois livros: A legião estrangeira e A paixão segundo G.H.
Clariceainda contribuiu para a literatura infanto-juvenil, escrevendo os seguintes livros: O mistério do coelhinho pensante, A mulher que matou os peixes, A vida íntima de Laura e Quase de verdade.
Distraída, fumando na cama antes de dormir, deixou o cigarro aceso e acordou com o quarto em chamas, o que lhe provocou queimaduras na mão direita e nas pernas. Recuperada após cirurgias de enxertona perna, continuou a escrever. Seus últimos anos de vida foram dedicados à produção de seus livros que, no dizer da crítica, foram os mais bem elaborados: A hora da estrela e Um sopro de vida. Em 1969, ganhou o prêmio Golfinho de Ouro pela coletânea de contos Felicidade clandestina (que só seria lançada dois anos mais tarde) e publicou Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, narrativa que seinicia com um ponto-e-vírgula e termina com dois pontos.
Em 1976, Clarice recebeu um convite para representar o Brasil no Congresso Mundial de Bruxaria, em Bogotá, na Colômbia. Clarice foi, pois, afinal, fazia jus ao que muitos espalhavam sobre ela: uma mulher solitária, esquisita.... Mas foi, sobretudo, porque as coisas misteriosas a atraíam, sempre foi supersticiosa, um tanto mística.Em primeiro de novembro de 1977, Clarice dirigiu-se a um médico para fazer exames. Não se sentia bem. O diagnóstico foi cruel: câncer generalizado. Não havia mais nada a fazer. Foi internada no dia 16 de novembro para um tratamento impossível. Pressentira o seu próprio fim: tirou o relógio e um amuleto de cobre que lhe eram inseparáveis e os entregou à amiga Olga Borelli, dizendo que não...
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