A historia da riqueza do homem cap.xii á xxiii

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C A P Í T U L O X I I
Deixem-nos em Paz!
1776 foi um ano de revolta. Ano notável. Aos norte-ame-ricanos, ele lembra a Declaração da Independência, a revolta contra a política colonial mercantilista da Inglaterra; aos economistas de todo o mundo, lembra a publicação da Riqueza das Nações, de Adam Smith — súmula da nascente rebelião contra a política mercantilista — restrição, regulamentação,contenção. Um número cada vez maior de pessoas não concordava com a teoria nem com a prática mercantilista. Não concordava porque sofria com elas. Os comerciantes queriam uma parte dos enormes lucros das companhias monopolizadoras privilegiadas. Quando tentaram participar delas, foram excluídos como intrusos. Os homens que tinham dinheiro desejavam usá-lo como, quando e onde lhes aprouvesse Queriamaproveitar todas as oportunidades proporcionadas pela expansão da indústria e do comércio. Sabiam o poder que lhes dava o capital e desejavam exercê-lo livremente. Estavam cansados do “podem fazer isso, não podem fazer aquilo”. Estavam enojados das “Leis contra... Impostos sobre... Prêmios para...”. Queriam o comércio livre.
Os governos desejavam ajudar a indústria. Muito bem. Parecia porém quenão podiam ajudar uma classe sem prejudicar a outra. E a classe prejudicada não gostava disso. Protestava. Na Prússia, em 1700, os produtores de lã não podiam exportar seu produto. Isso tinha por objetivo estimular a manufatura de tecidos, assegurando aos fabricantes bastante matéria-prima — a preço barato. Os industriais viam com bons olhos essa proibição de exportar lã. Mas os produtores de lãprotestavam. Em 1721 fizeram uma petição ao rei solicitando que a lei fosse abolida: “... ...segundo confessam os manufatores, os armazéns estão cheios de grandes estoques de lã... ...É também evidente que a produção de lã deste ano... ...não terá nem sua metade vendida. A graciosa intenção de Vossa Real Majestade de fazer com que não haja falta de lã para os industriais, que com isso a indústriaseja estimulada... ...já está plenamente realizada; por outro lado, no entanto, o prejuízo causado aos que criam ovelhas aumenta, pois com o abarrotamento dos estoques, tem de vender sua lã ao preço que lhes impõe o comprador... ...O país, em sua totalidade, está sofrendo com essa redução legal dos preços ainda mais da lã (que baixará ainda mais se a proibição de exportar continuar)... ...asovelhas dão mais despesas do que lucro, e muitos criadores poderão ter a idéia de deixar que seus rebanhos desapareçam.”
Mas o Rei Frederico Guilherme I apegou-se à política de restrição. Eis como respondeu à petição: “Sua Majestade o Rei da Prússia... ...considera necessário manter a proibição da exportação de lã... pois a experiência mostra que outras potências, particularmente a Inglaterra, quetambém não permitem a exportação de sua lã, com isso estão agindo bem, e o país enriquece.”149
Talvez o rei da Prússia tivesse razão quanto ao enriquecimento da Inglaterra. Mas. os mercadores daquele país teriam discordado da razão por ele atribuída ao enriquecimento. Sabemos que também os mercadores não estavam satisfeitos com as restrições mercantilistas. Queriam modificações que melhorassem seusnegócios. Tomaram aos mercantilistas o processo de expor seus argumentos — ou seja, diziam defender a política que melhor traria riqueza e prosperidade ao país. Um erro antigo e perdoável, esse de confundir os interesses pessoais com os interesses do país. Na ata da Câmara dos Comuns, do dia 8 de maio de 1820, encontramos sua defesa do comércio livre: “Uma petição dos Mercadores da Cidade de Londresfoi apresentada e lida; dizia ela que o comércio exterior conduz acentuadamente à riqueza e prosperidade do país, permitindo-lhe importar as mercadorias para cuja produção o solo, clima, capital e indústria de outros países são aptos, e exportar em pagamento os artigos que melhor produz; que a liberdade de qualquer limitação se destina a dar a maior expansão ao comércio exterior, e a melhor...
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