A grande greve do cranio do tucuxi

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Sobre o lugar da história da historiografia como disciplina autônoma
On the place of the History of Historiography as an autononous discipline

Valdei Lopes de Araujo1

Resumo
As c on di çõ es te ór i c as d e uma h i s tó r i a da historiografia poucas vezes foram estudadas. Neste artigo, discutimos algumas definições recentes para a história da historiografia. Analisamos as contribuiçõese os limites das reflexões oriundas do chamado gir o li ngüísti co, em esp ecial as fo r m ul açõ es de F r a nk An ke r sm i t p a r a u ma historiografia pós-moderna. Por fim, a partir da reflexão de Luiz Costa Lima sobre as fronteiras discur si vas entr e histór ia, ficção e li ter atur a p r o p o mo s o en te nd i m en to d a hi st ór i a d a historiografia como a pesquisa das condições deprodução, continuidade e descontinuidade da verdade histórica. P a l a v r a s - c h a v e s : hi stór i a da hi st or i ogr a fi a , modernidade, teoria da história

Introdução
A história da historiografia está entre as invenções mais recentes do discurso histórico. Enquanto a teoria da história pôde encontrar precedentes longínquos em trabalhos como o de Luciano de Samosata, ou mesmo nasprofissões de fé que antecedem muitas obras clássicas, a historia da historiografia parece nascer junto com a consolidação da história como um discurso autônomo no final do século XIX. Talvez não seja ocasional essa coincidência, pois uma de suas primeiras funções foi traçar o progresso da pesquisa histórica desde a antiguidade até sua forma científica moderna.
1

Professor Adjunto de Teoria daHistória e História da Historiografia na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Valdei Lopes de Araujo

Locus: revista de história, Juiz de Fora, v. 12, n. 1, p. 79-94, 2006

Já não acreditamos que esse tipo de relato possa ser escrito com proveito. Sabemos, desde, pelo menos, Kuhn e Foucault, que a história dos saberes é feita também de descontinuidades. A própria tradição historiográficanos ensinou a julgar cada época a partir de seus próprios valores, sob o risco de incorrermos no famigerado anacronismo. Essa desconfiança de que o discurso da história também possui sua historicidade, que está condicionado por um lugar de produção, foi um dos principais motores do chamado giro lingüístico. Quando a máquina relativista voltou-se contra seus mestres, a historiografia confrontou seuspróprios limites enquanto discurso com pretensão ao estabelecimento da verdade do que aconteceu. Desde então, a história da historiografia assumiu a nova tarefa de verificar os lugares, as instituições, as determinações extracientíficas que definiriam as condições de produção do discurso da história. Todo um novo campo de objetos tornou-se disponível e a história da historiografia teve seuprestígio sensivelmente ampliado. Por outro lado, pouco avançamos sobre a análise das fundamentações teóricas de um discurso que pretende desmistificar narrativas históricas, sendo ele mesmo uma operação historiográfica igualmente situada. O que propomos discutir nesse artigo são as funções, significados e relações entre a história da historiografia e os demais campos do discurso histórico.Diferentemente da “teoria da história”, que pode arrogar uma natureza distinta da própria atividade historiográfica, a história da historiografia parece possuir a mesma natureza de seus objetos, ou seja, ambos são histórias escritas. Seria então a história da historiografia uma atividade da mesma natureza da historiografia em geral, com uma diferença meramente temática? A seguir, avaliaremos algumas tentativasde definição contemporânea dessa atividade ainda tão indiferenciada. No lugar de propor classificar as diversas formas que a hist ória da historiografi a tem assumido, desde os bala nços historiográfico até as análises comparativas, institucionais ou dos conceitos históricos. 2 Nossa intenção é apresentar um esforço de pensar o campo em termos normativos. Para tanto, dividimos o texto em três...
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