A gestalt

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  • Publicado : 25 de maio de 2012
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A Gestalt-terapia (GT) é uma abordagem clínica que compreende um arcabouço técnico e de conceitos específicos, em suas dimensões teóricas e práticas. A GT tem como fundador Fritz Perls, que concebeu, em seu entendimento, o que seriam a princípio correções ou melhorias da teoria psicanalítica, mas ao não ter o reconhecimento de suas teses pela comunidade psicanalítica, inclusive do próprio Freud,Perls decidiu constituir uma nova linha de psicoterapia.
A GT apresenta sinergia com a definição e a prática na clínica moderna, que ultrapassa os limites de sua origem, bem como de seu conceito clássico (DUTRA, 2004). Etimologicamente, a definição de clínica tem em sua gênese uma ligação direta com a Medicina: clinicar, que vem do grego klinike, significaria ir ao encontro do doente, ou estar aolado do enfermo.
A clínica tem uma prática e uma definição mais amplas, em que clinicar é ação de cuidar e de estar ao lado, ação esta não só vinculada ao médico e nem só direcionada a um enfermo, e sim ao indivíduo à procura de uma melhor qualidade de vida (DUTRA, 2004).
A partir do entendimento acima evidenciado, pode-se concluir que não existe mais o “paciente” em sentido mais clássico,porquanto o sujeito agora vai à busca, denotando claro papel ativo em relação ao seu estado atual e possibilidade de mudança.
Na clínica em GT, ser implica ir; ir por sua vez compreende movimento, trazendo consigo a ideia de motivação, que está intimamente ligada a estabelecer direção e sentido às ações. Nada mais próprio ao ser humano do que se atualizar em sua intencionalidade de modo dinâmico.Há na razão um conteúdo inegavelmente emocional e na emoção um conteúdo racional. A beleza está no racional, tal qual o conhecimento está nas artes, podendo assim se entender que um método pode trazer à tona singularidades e não normatização. Este postulado, se assim pode ser dito, é peculiar à GT, pois nele se exprime a concepção de homem total, não em componentes estruturados, porém com suassingularidades, o que leva a ela um infinito campo de possibilidades, trazendo à tona responsabilidade e compromisso com o outro.
O importante é a Gestalt total do organismo e não as suas partes constituintes. Quando se observam moléculas, são moléculas como um todo e não suas partes atômicas. Quando se observam órgãos do corpo, são os órgãos como um todo e não seus átomos constituintes. E quandose observam pessoas, são pessoas como um todo e não o seu incontável número de átomos. São as pessoas que permanecem através do tempo.
A GT em seu escopo faz uso de um arcabouço advindo do Existencialismo, quando este assevera que o presente é o que existe, por conseguinte é a experiência a vivida em sua totalidade, sendo assim só a como se constituir um ser ciente de si mesmo no presente(LEVINAS, 1985).
A GT assume esse aspecto, tendo o psicoterapeuta para funcionar como facilitador da construção da consciência intencional do cliente, deve estabelecer uma relação pautada no presente, sabendo que o setting clínico é um espaço de experiência do hoje.
A GT tem como particularidade o entendimento do homem como um ser de relações com o mundo. Em psicoterapia, não se deve construir edelimitar as relações à simples causa e efeito, mas buscar o entendimento a partir de um diagnóstico, não sendo este uma forma rígida de enquadramento, porém uma base norteadora e dinâmica estabelecida através de um mapeamento.
O termo mapeamento é aqui usado no mesmo sentido de Cancelo (1991). O autor defende que o ato de mapear, dentro de uma concepção fenomenal, nada mais é do que uma visão dotodo, na tentativa de abranger o maior campo possível, não se tratando então de estabelecer fronteiras territoriais rígidas, mas de empreender caminhos, processos e possibilidades.
Não cabe ao gestalt-terapeuta focalizar o caminho da relação em técnicas e experimentos, pois aí estará tendo uma postura como investigativa e policialesca de enforcar o “por quê?” No dizer de Perls (1977), o uso de...
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