A criminologia e a psicanalise

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  • Publicado : 14 de abril de 2011
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A Criminologia e a Psicanálise

Resumo

O texto busca decifrar, pela aproximação dos campos do direito e da psicanálise, uma forma mais profunda de entendimento da subjetividade do sujeito tendo como marco referencial a obra e pensamento de Freud, as Teorias Criminologia e o comportamento delitivo.

Palavras-chaves: Criminologia, Psicanálise, Freud, Sociedade.

Introdução
As sociedadessempre buscaram meios de atribuir marcas identificatórias aos criminosos, usando, conforme os regimes e épocas, diversos meios de mutilações. Quando estas práticas foram abolidas, colocou-se a questão de elaborar um método de identificação cientifica, e foram na França, na Alemanha e na Itália que se desenvolveram, simultaneamente, dois campos de pesquisa: Antropologia Criminal e a Criminalística.Ambas se inspiraram na antiga Frenologia, por sua vez saída da “craneoscopia” de Franz Josef Gall (1758-1828) que consistia em decifrar o caráter do indivíduo através das saliências e relevos craneanos, e da antropologia física do médico francês Paul Broca (1824-1880).
A criminologia distingue-se da criminalística, pois se interessa menos pela identificação dos criminosos do que pela causa docrime. Embora não tenha empregado este termo e tenha conservado a expressão “antropologia criminal”. O verdadeiro fundador desta disciplina foi o médico italiano Césare Lombroso, que se inspirou no Darwinismo para construir sua concepção do “criminoso nato”. Segundo ele o crime é resultado de uma predisposição instintiva de certos sujeitos. Em vez de evoluírem normalmente, eles regridem ao estadoanimal. Lombroso em seu manifesto “O Homem Criminoso” onde descrevia a seguinte patologia: “Seu criminoso se assemelhava ao grande macaco da lenda da horda selvagem”, cujo tema Sigmund Freud retomaria em Totem e Tabu.
Lacan discorda da teoria do delinqüente nato, de Lombroso, onde o criminoso era visto com um ser primitivo, bem como rejeita a concepção da categoria de crime natural, a qual aCriminologia tentou sem sucesso desenvolver, em especial, com Garofalo.
“A psicanálise amplia o campo das indicações de um tratamento possível do criminoso como tal – evidenciando a existência de crimes que só tem sentido se compreendidos numa estrutura fechada de subjetividade – nominalmente, aquela que exclui o neurótico do reconhecimento autêntico do outro, amortecendo para ele as experiências daluta e da comunicação social, estrutura esta que pode deixar atormentado pela raiz truncada da consciência moral que chamamos de supereu, ou, dito de outra maneira, pela profunda ambigüidade do sentimento que isolamos no termo culpa”. Jacques-Marie Émile Lacan
Na realidade a criminologia nunca foi uma disciplina independente. Praticadas por médicos e empenhada num diálogo com a justiça e osmagistrados, integrou-se na psiquiatria.
O grande criminologista belga Étieme De Greeff (1898-1961), médico do Instituto Psiquiátrico da Universidade de Louvaine, procurou discernir a personalidade do criminoso relacionando sua vivência interna a seu modo de comunicação com o mundo.
Sigmund Freud não se interessou muito pela criminologia como tal, o único crime que o fascinava era o parricídio, queele ligava ao incesto e ao complexo de Édipo e do qual fez o paradigma de todos os atos criminosos cometidos pelo homem. Ele estabelecia uma distinção bastante simples entre o histérico e o criminoso: o primeiro esconde o segredo do que conhece, ao contrário do segundo que dissimula este mesmo segredo com plena consciência.
“O resultado invariável do trabalho analítico era demonstrar que esseobscuro sentimento de culpa provinha do Complexo de Édipo e constituía uma reação às duas grandes intenções criminosas de matar o pai e ter relações sexuais com a mãe. Em comparação com esses dois, os crimes perpetrados com o propósito de fixar o sentimento de culpa em alguma coisa vinham como um alívio para os sofredores. Nesse sentido, devemos lembrar que o parricídio e o incesto com a mãe são os...
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