A bagagem do viajante

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A bagagem do viajante

Aspectos da auditoria como tecnologia*

Fernando Moutinho Ramalho Bittencourt

Sumário

1. O reconhecimento da existência de um
“processo de auditoria”. 2. A caverna (o processo
de auditoria na auditoria individual). 2.1. Etapa
de planejamento. 2.2. Etapa de execução. 2.3.
Etapa de relatório. 3. Memorial do convento – o
ciclo organizacional completo do processode
auditoria. 3.1. A seleção do objeto de auditoria.
3.2. A etapa de seguimento ou follow-up da auditoria. 4. Ensaio sobre a cegueira – a evidência
em auditoria. 5. Manual de pintura e caligrafia
– papéis de trabalho na auditoria. 6. A modo
de síntese.

“Uma parte de mim
pesa, pondera,
outra parte delira
[...]
Uma parte de mim
é permanente
Outra parte se sabe
de repente.
[...]Traduzir uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?”
(Ferreira Gullar, 2000, p. 144-145).

Fernando Moutinho Ramalho Bittencourt é
Consultor de Orçamentos do Senado Federal.
* Por uma falha técnica, este artigo foi publicado na edição anterior (Ril 174) com referências
bibliográficas trocadas. Nossas desculpas ao
autor e aos nossos leitores.
Brasília a. 44n. 175 jul./set. 2007

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A auditoria é um dos mecanismos mais
importantes para o exercício do controle externo encomendado ao Congresso
Nacional pelos artigos 70 e 71 da Constituição Federal. Para melhor utilizá-la, a
Instituição Parlamentar e suas unidades de
assessoramento técnico (particularmente a
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25/10/2007 09:27:16

Consultoria de Orçamentos, Fiscalização eControle do Senado Federal) muito podem
contribuir com o aprofundamento do conhecimento em modalidades e técnicas de
auditoria.
Dentro desse objetivo, partimos de um
marco conceitual geral para a atividade de
auditoria, já oferecido à comunidade nas
páginas da Revista de Informação Legislativa1. Lá assinalamos que a atividade de
auditoria tem seus aspectos programáticos
(idéias a respeitode sua missão ou finalidade, vinculando a prática da auditoria a
objetivos sociais mais amplos em que está
inserida), mas tem também seus aspectos
tecnológicos ou operacionais, as tarefas e rotinas mais ou menos concretas que formam
o mundo de seus praticantes2.
Neste trabalho, iniciamos a abordagem
dos aspectos principais dessa prática real,
da “auditoria como tecnologia”, semprevinculados ao modelo conceitual da vertente programática da auditoria (a inserção
social do trabalho auditorial). O texto busca
delinear uma bird´s eye view dos elementos
centrais do seu campo de estudo, num esforço deliberado de resumo e simplificação,
recorrendo extensamente à bibliografia
citada para oferecer ao leitor o aprofundamento naquele tópico específico. Com isso,
pretendemos ofereceruma primeira aproximação da visão de conjunto, bem como
uma ferramenta útil para o desenvolvimento posterior dos interessados segundo seu
próprio ritmo e suas demandas.
Aqui também recorremos à prosa
de Saramago e outros mestres para demarcar a evolução do raciocínio, uma vez
que a abordagem de um campo social de
definições ainda tão sutis e com tanto por
elaborar incursiona por momentos queexigem recursos de verdadeira imaginação
(“Pelo fato mesmo de que são irreversíveis
e comportam muito de aleatório, os processos históricos somente são compreendidos
quando de alguma forma são reinventados”, já dizia CELSO FURTADO, 1986, p. 67).
Essa distância entre o curto alcance do
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rigor analítico indispensável e a totalidade
inalcançável da realidade somentepode ser
vivenciada com o recurso à sensibilidade
artística.

1. O reconhecimento da existência
de um “processo de auditoria”
A primeira constatação é a de que não
se trata de mera justaposição de métodos
e ferramentas tais como amostras, checklist,
métodos analíticos e outros. A aproximação
do auditor em relação ao objeto auditado
e o uso que faz de técnicas e instrumentos
é hoje...
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