Um inventor do passado

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Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia Ano 1, N.2, Julho 2011

SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA: UM INVENTOR DO PASSADO? SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA: AN INVENTOR OF THE PAST? Michelplatini Basílio RESUMO: Este artigo tem a pretensão de discutir o pensamento histórico de Sérgio Buarque de Holanda chamando a atenção para a representatividade em sua produção historiográfica. Desta formaprocuraremos demonstrar que o bem escrever constitui uma das preocupações fundamentais de Sérgio Buarque de Holanda para que suas idéias sejam entendidas pelos seus leitores e como um local de levá-los consequentemente a adquirirem consciência histórica. Palavras-chave: Escrita histórica, temporalidade e consciência histórica. ABSTRACT: This article purports to discuss the historical thought ofSérgio Buarque de Holanda calling attention to the representation in their historical production. Thus try to demonstrate that good writing is one of the key concerns of Sérgio Buarque de Holanda so that their ideas are understood by their readers and as a place to take them therefore to acquire historical consciousness Keywords: Historical writing, temporality, and historical consciousness. Todos osseres humanos são participantes da história, fazemos história no sentido que a história independente de existir enquanto ciência ela existe enquanto processo. Portanto, somos todos seres ontológicos e de existência real e prática. Já a ciência histórica busca dar sentido e perceber o sentido das ações humanas no tempo, ou seja, interpretá-las. Desta forma o historiador com sua erudição, com suacapacidade imaginativa é capaz de evidenciar épocas passadas; na expressão de Michel de Certeau (2000, p.108) seu trabalho consiste em “dar lugar aos mortos como um meio de dar lugar aos vivos” ou com Agnes Heller (1993, p.85) em “dar sentido a alguma coisa” em tornar o desconhecido em conhecido, o inexplicável em explicável. Antes de falarmos de uma escrita buarqueana da história é necessáriodiscorrermos sobre o conceito de historiografia. Segundo Michel de Certeau (2000, p.11) historiografia quer dizer história e escrita trazendo em seu próprio nome dois termos contraditórios: o real e o discurso. Para Certeau, o valor que damos a técnica, coloca a história do lado da literatura ou da ciência, para ele “fazer história é uma prática” que é mediatizada pela técnica, onde os historiadorescom freqüência fazem uso das “ciências auxiliares” como a paleografia, musicologia e a informática. Mas a técnica para Certeau não é tudo, “a história não começaria


Graduado em História pela UEG. Contato: michelplatinibasilio@hotmail.com. Artigo recebido em: 10/03/2011. Aceito em: 25/05/2011.

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Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia Ano 1, N.2, Julho 2011

senão coma palavra interpretação. Ela seria finalmente uma arte de discorrer que apagaria, pudicamente vestígios de um trabalho” (CERTEAU, 2000, p.78). Tendo o tempo como seu “material de análise”, o historiador parte do tempo presente para distinguir de seu “outro” (passado), desta forma ele historiciza o atual, pois presentifica uma realidade vivida e torna o passado presente através de um discurso(narrativa). A escrita da história é o corolário da pesquisa, o processo de construção de um texto historiográfico é controlado por ela. “O discurso histórico, pretende dar conta de um conteúdo verdadeiro, mas sob a forma de narração” (Idem, p.100). A pesquisa dá verificabilidade a historiografia, isso explica segundo Certeau, a utilização por parte dos historiadores de citações e referências, que temcomo principal função comprovar o discurso introduzindo no texto um efeito de real, produzindo credibilidade e validade do saber (Idem, 2000, p.101). Em sua historiografia o historiador busca sempre “contar como tudo efetivamente aconteceu”, a realidade da experiência humana no tempo é a matéria-prima do historiador e nesta fronteira entre o dado e o criado é que ele age desvelando o passado...
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