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Podemos entender então que já ao nascer adquirimos esse status e vamos construindo esse processo durante a nossa existência; democracia e cidadania são processos, meios de ação.



Como explica Canivez, o problema da cidadania não está na lei, mas aflora no momento da minha inserção/relação na e com minha comunidade.



Vivemos num Estado de Direito e de liberdades fundamentais eisso permite-nos trabalhar e levarmos nossa vida, o que não impõe necessariamente uma responsabilidade política. O autor analisa



“O Estado constitucional garante certos direitos ao indivíduo, mas esse indivíduo pode ser politicamente passivo: sempre governado, nunca governando. Em outras palavras, o Estado moderno apresenta e resolve – mais ou menos bem – a questão do controle e doslimites do poder. Garante ao indivíduo, definitivamente, o gozo de uma vida pessoal, e nesse sentido, puramente privada. No que se refere à participação ativa nos assuntos públicos, parece ponto pacífico que ela seja reservada aos profissionais da política.” (1998, p. )



Segundo Canivez, podemos considerar que este indivíduo é politicamente ativo na hora em que vota. Mas ele mesmo rebate, poisentende que este argumento significaria dizer que somos ativos apenas nesse momento em especial – sem falar dos que não votam.



Na verdade, somos politicamente passivos na maior parte do tempo da nossa vida, somos indivíduos puramente privados – e observa que isso “tem certo encanto”; no entanto, ressalta, somos privados também de qualquer influência nos destino da nossa comunidade, porexemplo.



Canivez indaga qual a diferença de um cidadão brasileiro, por exemplo, para um estrangeiro, excluindo-se a época de guerra, os períodos eleitorais, ainda mais se esse se abstém, do cidadão estrangeiro? Ele mesmo responde, argumentando que dois trabalham, devem respeitar as leis, recebem proteção e devem ter suas liberdades fundamentais respeitadas. O estrangeiro tem até mesmo odireito de recorrer aos tribunais, se for uma reclamação justa.



Votar em época de eleições não basta para ser cidadão, já que o cidadão autêntico, segundo Canivez – recorrendo a Sócrates, que propôs essa questão na antiguidade –, é quem exerce uma função pública, governando, tendo uma função no tribunal (entendendo-se aqui como uma assembléia composta de cidadãos escolhidos por sorteio),ou que participe das assembléias do povo. É não ser meramente governado, mas também governante, não apenas gozar de direitos, mas ser essencialmente “co-participante do governo” (Hanna Arendt)[1]



Como co-participantes os cidadãos têm, então, direito à palavra – princípio da isegoria – e podem participar da condução dos assuntos, sendo que, para isso, utiliza o sistema de revezamento, quegarante aos cidadãos a certeza de serem sucessivamente governados. Noutro momento, nas aristocracias e nas oligarquias, o povo é despojado dos poderes executivo e legislativo, exercidos por especialistas. Aqui, trata-se de ser cidadão aquele que tem a possibilidadede chegar a uma dessas funções e nem mesmo pode se falar de revezamento.



Canivez (1998) afirma que a democracia modernamistura traços dessas duas situações, ou seja, no caso do sistema de júris, este é formado por meio de sorteio (Tribunal do Júri, no Brasil); nos processos (crimes contra a vida, no Brasil), existe um traço de democracia, já que, assim, qualquer um poderá ser chamado a participar, assim como no legislativo.



Fora isso, quanto ao Executivo, o princípio em vigor é de uma aristocracia aberta,pois até mesmo o princípio das eleições implica na escolha dos melhores. Há que se ter elegibilidade. Dispondo de determinadas condições, “qualquer cidadão” pode aspirar a um cargo político.



A democracia moderna é o Estado no qual [...] todo cidadão é considerado como um governanteem potencial. Masisso traz alguns problemas, primeiro pela pouca preocupação dos cidadãos com a ação...
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