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MEMORIAL DE FORMAÇÃO
– quando as memórias narram a história da formação...
Guilherme do Val Toledo Prado
Rosaura Soligo
‘Estou a tentar explicar o que consiste escrever, ter um determinado
estilo. É preciso que isso nos divirta. E para nos divertir torna-se
necessário que a nossa narração ao leitor, através das significações
puras e simples que lhe apresentamos, nos desvende os sentidosocultos, que nos chegam através da nossa história, permitindo-nos
jogar com eles, ou seja, servir-nos deles não para os apropriarmos,
mas pelo contrário, para que o leitor os aproprie. O leitor é, assim,
como que um analista, a quem o todo é destinado.’
Jean Paul Sartre
A História é feita com o tempo, com a experiência do homem, com suas histórias, com suas memórias.
Bem sabemos que a profissionalizaçãodo Magistério, pela qual tanto lutamos, não acontecerá de uma
hora para outra, sem investimento na melhoria das condições de trabalho e da formação profissional dos
educadores1 e sem um processo de transformação da cultura predominante, de velhas idéias, de práticas
cristalizadas.
Mas sabemos também que, diante do muito ainda a fazer, toda conquista tem seu valor e será sempre
bem-vinda.
Para anossa merecida alegria, cada vez mais, os profissionais da educação são reconhecidos como
protagonistas das mudanças das quais depende a construção de um novo tempo para o Magistério. A
perspectiva da formação de profissionais reflexivos, que vem se consolidando como uma tendência na
comunidade educacional, ao mesmo tempo reflete esse reconhecimento social e contribui consolidá-lo.
É nesse contextoque a valorização da escrita dos educadores ganhou lugar. Afinal, se é necessária a
reflexão sobre a prática profissional e se escrever favorece o pensamento reflexivo, a conclusão acaba por ser
inevitável: a produção de textos escritos é uma ferramenta valiosa na formação de todos.
Entretanto, para além dos ganhos individuais que a escrita reflexiva favorece, há um aspecto político de
igual oumaior relevância: a publicação dos textos produzidos pelos que fazem a educação deste país –
narrando suas experiências, revelando suas idéias, refletindo sobre o que fazem – na verdade é uma conquista
de toda a categoria profissional.
Quando os educadores tornam públicos os seus textos, todos ganhamos.
Até bem pouco tempo, os textos produzidos por professores, coordenadores pedagógicos, diretorese
formadores geralmente eram resposta a exigências de natureza institucional e tinham uma publicação bastante
restrita: circulavam nas próprias escolas de origem e em alguns ambientes acadêmicos – quando esse tipo de
escrita é tomado como objeto de pesquisa, o que, muitas vezes, implica, inclusive, a omissão da autoria dos
textos, sejam orais ou escritos.
Ou seja, na prática, a escrita doseducadores não era de fato valorizada como uma produção legítima,
que veicula os saberes produzidos no exercício da profissão e que, por isso, merece ser publicada, divulgada,
tomada como subsídio por outros profissionais.
Lentamente – muito lentamente ainda, mas de forma animadora – uma nova situação se anuncia. Por
um lado, em alguns círculos acadêmicos, já se questiona a omissão da autoria das falas edos textos escritos

1

Neste artigo, utilizamos o termo ‘educadores’ como sinônimo de ‘profissionais da educação’.

2
pelos educadores em certos tipos de pesquisa. Por outro, o que se vê são secretarias de educação organizando
publicações contendo textos da autoria de seus profissionais.
Tendo em conta o processo de desvalorização profissional que marcou a história da educação no Brasil,
essasmudanças, ainda que paulatinas, indicam um tipo de processo inevitavelmente sem volta. Ainda bem.
O propósito deste artigo é reunir algumas contribuições que permitam compreender melhor o memorial
de formação como um gênero textual privilegiado para que os educadores – enfrentando o desafio de assumir a
palavra e tornar públicas as suas opiniões, as suas inquietações, as suas experiências e as...
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