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acidente da Hungria e a realidade no Pará
Data: 08/11/2010
Autor(es): Lúcio Flávio Pinto - Editor
No dia 4 de outubro, rompeu-se a barragem do lago de rejeitos de uma fábrica de alumina instalada na vizinhança do povoado de Kolontar, na Hungria, que vinha vazando havia pelo menos quatro meses. Pela fissura, de 50 centímetros de largura, passaram mais de um milhão de metros cúbicos de lamavermelha (ou 100 milhões de litros), que se espraiaram por uma área de 40 quilômetros quadrados (ou quatro mil hectares). Foi o maior desastre ecológico da história da Hungria e um dos mais graves ocorridos recentemente na Europa. Nove pessoas morreram afogadas e 150 ficaram feridas.
O acontecimento podia ter interessado os paraenses. A 50 quilômetros de Belém funciona a maior fábrica de alumina domundo, a Alunorte, hoje sob o comando da norueguesa Norsk Hydro, que adquiriu o controle acionário, até então em poder da antiga Companhia Vale do Rio Doce. A Alunorte também despeja num reservatório semelhante o rejeito da lavagem química do minério de bauxita, da qual resulta a alumina (ou óxido de alumínio), de aparência semelhante ao açúcar. Submetida a um processo eletrolítico, a alumina setransforma em metal, o alumínio.
Nos últimos anos as empresa de alumina têm se empenhado em mudar a imagem dos rejeitos que geram. Quase não utilizam mais a expressão lama vermelha, por seu impacto imediato, logo associado ao perigo e ao risco de contaminação por produtos químicos tóxicos. A intenção era mudar a expectativa, destacando que o rejeito é praticamente inerte. Pode até ser usado para afabricação de tijolo, como é feito em Barcarena.
O acidente húngaro pode inutilizar esse esforço e fazer as autoridades voltarem a tratar a lama vermelha como uma ameaça, caso os reservatórios em que é acumulada não recebam tratamento rigoroso e eficaz. Isso pode ter ocorrido na Hungria, na sucessão de transformações ocorridas no país desde o fim do comunismo, em 1989, com as privatizações dasempresas estatais que atuavam em setores importantes, como os do ciclo do alumínio.
Maior rigor no tratamento dos resíduos industriais parece não ter havido na Hungria. Mal ocorreu a enxurrada, ficou claro que as aglomerações humanas vizinhas da barragem estavam expostas aos danos de um acidente. Exaurida a lama, que cobriu todo um bairro de Kolontar, onde viviam 800 pessoas, começou a construçãode um dique de cinco metros de altura entre o reservatório da fábrica e o outro vilarejo, que não foi atingido e escapou ao destino trágico do bairro ao lado: inviabilizado o retorno dos seus habitantes, terá que ser todo demolido e provavelmente jamais será reconstruído.
A proteção fora prometida aos moradores, mas nunca chegou a ser executada. Teria reduzido bastante os danos causados. Além dosprejuízos no local, que acarretaram multa de 102 milhões de dólares e a temporária estatização da fábrica pelo governo húngaro, o efeito mais nocivo do rompimento da barragem seria a contaminação do rio Danúbio, o segundo maior e um dos mais belos da Europa, e o assoreamento ou a perda de vida em drenagens da bacia.
Os técnicos do governo e da empresa asseguraram que esse impacto não ocorrerá,mas ainda são incertos os efeitos no longo prazo da penetração da lama tóxica, com componentes químicos como a soda cáustica. Apesar das mensagens tranqüilizadoras, quem trabalhou na recuperação e salvamento usou máscaras, luvas, botas e macacões impermeáveis. A lama é cáustica e um pouco radioativa, podendo queimar a pele.
O problema não está só na massa líquida. Com o ressecamento, o barrovermelho começou a ser levantado pelo vento e espalhado pelas redondezas, afetando a qualidade do ar. O pó é considerado cancerígeno.
Pode ser que o acidente tenha sido descrito com cores mais fortes do que as realísticas, mas o fato foi suficientemente grave para recolocar em debate as medidas de proteção e de fiscalização das fábricas, sobretudo das que geram rejeitos tóxicos. Se os europeus vão...
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