Tolerancia na obra "sobre clemencia" senecade

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RAZÃO E FÉ NA OBRA “PENSAMENTOS” DE BLASE PASCAL

“A fé e a razão são como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade (...)” (João Paulo II)
O homem freqüentemente foi visto de uma forma paradoxal, dual. Ora é visto somente pelo viés da alma, ora pelo viés corporal. Dentro desta imagem – a dual – encontra-se, também, o homem no paradigmaepistemológico, ou seja, ora ele se apura pelo empirismo, no qual a primazia encontra-se no objeto, ou constitui-se pelo racionalismo, tendo por vez a soberania do sujeito. Sinteticamente, podemos afirmar que o homem é unidade substancial ou constitui-se separadamente?
Tais questões, elencadas acima, precederam o pensamento pascaliano e o ajudaram na formulação de seu pensamento antropológico. O quesitodualidade assume dentro de seu pensamento o principal caminho para se chegar à compreensão do que seja o homem e o que lhe compete após descobrir sua situação ontológica.
Numa relação estrita com o pensamento cristão, Pascal verá o homem, também, de uma forma dual. Ele – o homem – está entre a grandeza e a miséria de seu ser, que Pascal chamará de contradição. Devido ao pecado original, o homemdecaído não possui a plenitude ontológica, pois, esta se dá na comunhão com Deus. Devido à desobediência – causa do pecado original – o homem afasta-se de Deus. A auto-suficiência toma lugar do Ser que lhe constitui. No entanto, “o homem sente-se só e perdido, pois não mais percebe os vestígios do Criador” (ZILLES). O homem já não pode compreender-se, pois se afasta do criador, obtendo como resultado aperda do paradigma absoluto do seu auto-conhecer. Perdendo esta comunhão com Deus, o homem se torna incapaz, por si mesmo de deliberar bem, ou seja, de agir justamente. “O homem de Pascal encontra-se numa situação que alguns intérpretes caracterizam a luz da categoria do Trágico” (VAZ).
Nisto consistir-se-á que “o homem não é apenas injusto, pelos seus pensamentos e ações; a injustiça, tornadaconstitutiva, aparece como aquilo que condiciona a sua própria natureza, enquanto corrompida” (LEOPOLDO). Portanto, aqui chegamos ao ponto central de nossa reflexão: com o distanciamento do homem de Deus, ele reconhecerá somente sua condição de ‘grandeza’ (aparente), deixando de lado o reconhecimento de sua miséria. Pois, quando absolutismos a razão, nos ternamos inábeis a perceber nossa situaçãomiserável e isto nos impossibilita de pensar algo além que nos constitui. È neste movimento que a razão decai, pois ela terá como auto-refletor somente a si mesmo. Justamente, é isto que Pascal está tentando resgatar em sua obra Pensées ou Apologia da Religião Cristã, ou seja, mostrar o caminho de uma reta razão baseada nos parâmetros da fé e da religião cristã. Para isso, Pascal definiu o papel darazão:
“A última tentativa da razão [é descobrir] que há uma infinidade de coisas que ultrapassam. Revelar-se-á fraca se não reconhecer isto. É preciso saber duvidar aonde é preciso, afirmar aonde é preciso. Quem não faz assim entende a força da razão”. (PASCAL).
Contudo, excluindo a possibilidade acima, o homem terá ausente uma razão reta. Conseqüentemente impossibilitando-se de um conhecimentointegral de si e perdendo o núcleo central do conhecimento. Portanto, ainda na linha das conseqüências, a sabedoria divina deixa de ser alicerce do conhecimento humano para ser relativizada pelo próprio homem.
Pascal não é somente um evidencialista, no qual diagnostica a situação do homem mostrando a origem da ferida. Mas, aponta o remédio que irá curar a enfermidade. O remédio é chamado: JesusCristo, que na plenitude dos tempos é enviado pelo Pai para nos redimir. Jesus tem como papel a mediação entre o homem e Deus. Jesus é o princípio da contradição que levará o homem à comunhão com Deus. Sendo Deus, Jesus se faz homem, lembrando que Deus não esquece sua criatura. Todavia, Deus se encarna em nossa condição miserável para mostrar que – na compreensão de Pascal – a grandeza por si...
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