Timo

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 ciência

Quando
o t imo
não
vai bem
50

j aneiro De 2012

_ I munoDefICIênCIas prImárIas

Cópia extra de gene
prejudica o amadurecimento
das células de defesa na
síndrome de Down
texto

Ricardo Zorzetto e Francisco Bicudo

FotoS leo ramos e eDuarDo cesar

i lustração

mariana coan

c

omeça-se a conhecer melhor a razão
por que as pessoas com síndrome
de Down, queatinge uma em cada
700 crianças, são mais suscetíveis
a desenvolver doenças autoimunes do que o restante da população.
Nelas, um sofisticado mecanismo que ensina as
células de defesa a reconhecer e combater o que
é estranho ao organismo encontra-se desregulado, mostraram pesquisadores brasileiros em
um estudo publicado em setembro no Journal of
Immunology. A consequência desse desequilíbrioé que as células que deveriam proteger o corpo
passam a atacá-lo, levando ao desenvolvimento de
enfermidades autoimunes como o diabetes tipo 1,
o hipotireoidismo ou a doença celíaca.
A pediatra Magda Carneiro-Sampaio e sua
equipe no Instituto da Criança (ICr) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
(FMUSP) verificaram que algo não andava bem
com o amadurecimento das célulasde defesa das
crianças com síndrome de Down quando puderam comparar a atividade do timo delas com a do
timo de crianças sem o problema. Órgão pequeno
e achatado em forma de borboleta, o timo se situa no tórax, atrás do osso esterno e à frente do
coração, e funciona como uma escola de treinamento de guerra. É ali que um grupo especial de
células de defesa – os linfócitos T, responsáveis
pororquestrar o combate a infecções e a eliminação de células doentes – aprende a distinguir
o que integra o próprio corpo e deve ser preservado daquilo que vem de um organismo estranho
e deve ser exterminado.
Quando o timo funciona bem, os linfócitos que
passam por esse treinamento e se mostram capazes de reconhecer e atacar as células do próprio
organismo são destruídos ali mesmo – a morte é
odestino de 95% a 97% dos linfócitos T. Só saem
do timo para a circulação sanguínea e a linfática os
3% a 5% restantes dos linfócitos, que demonstram
ter a habilidade de identificar e atacar apenas os
agentes infecciosos, os compostos estranhos ao
corpo ou as células defeituosas. Na síndrome de
Down, porém, esse rigoroso sistema de preparo e
seleção celular encontra-se desbalanceado.
Odesajuste no amadurecimento dos linfócitos só começou a ficar evidente nos últimos
anos, quando o grupo de Magda usou técnicas
de biologia molecular para estudar o timo de 60
crianças (14 com síndrome de Down e 46 sem)
com idade entre 4 meses e 12 anos. Todas elas
haviam passado por uma cirurgia para corrigir
defeitos cardíacos graves que exigiu a retirada do

ImunologIa

peDIatrIa

pESQUiSa FapESp 191

51

treinamento de guerra
timo prepara células de defesa para identificar
agentes infecciosos e compostos estranhos ao corpo

Multiplicação
Amadurecimento
no timo, os linfócitos
aprendem a identificar
o que é estranho ao
organismo e deve ser
destruído. uma seleção
rigorosa elimina os
linfócitos (em preto)
defeituosos ou capazes
de atacar o próprio corpo

timo.Ao comparar o funcionamento do
timo, os pesquisadores constataram que,
em média, esse órgão era menos ativo
nas crianças com síndrome de Down do
que naquelas sem o problema (ver infográfico acima).

o

geneticista Carlos Alberto Moreira Filho e a psiquiatra e especialista em bioinformática Helena
Brentani avaliaram o nível de ativação de
quase 22 mil genes nas células do timo everificaram que cerca de 400 desses genes, muitos deles responsáveis pela multiplicação celular e pelo amadurecimento
das células de defesa, se encontravam
menos ativos nas crianças com Down.
Um em especial chamou a atenção. É o
gene autoimmune regulator (AIRE). Esse
gene codifica a produção de uma proteína
essencial para a seleção apropriada dos
linfócitos T. Sem essa proteína, os linfócitos...
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