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Efeito solo
Simone Sayegh

Um edifício em Santos-SP que se encontrava com 2,10 m de inclinação volta agora ao prumo graças a uma solução pioneira no País. Os problemas de recalque na baixada santista, porém, não param por aí: quase uma centena de edifícios estão ameaçados A cidade de Santos, no litoral paulista, famosa pelos jardins em toda a extensão de suas praias também atrai atenção por ummotivo nada comum: seus prédios tortos. A cidade apresenta quase 100 prédios na orla com problemas de recalques, desde a ponta da praia até a divisa com São Vicente, com maior concentração entre o Canal 5 e a avenida Ana Costa. Esse problema surgiu nas décadas de cinqüenta e sessenta, resultado da execução de prédios com mais de dez andares com fundações diretas apoiadas em uma camada superficialde areia, que por sua vez recobre uma extensa camada de solo argiloso muito compressível. Um dos prédios que representa fielmente esse tipo de problema é o edifício Núncio Malzoni, com 17 andares, bloco A de um conjunto localizado na avenida Bartolomeu de Gusmão, praia do Boqueirão. O edifício começou a inclinar desde a sua construção, em 1967, e como a maioria dos prédios que sofreram recalques,suas fundações diretas são apoiadas na camada de areia fina e compacta com 12 m de espessura, que por sua vez repousa sobre 30 m de argila mole. O adensamento da argila provocou afundamentos em ambos os vértices do edifício, que chegou a ter uma inclinação de 2,10 m, em 1999. A primeira tentativa para reverter esse quadro data de 1978 quando foram executadas estacas-raiz no lado mais adensado doedifício, que impediram recalques por cerca de três meses. Após esse período as inclinações voltaram, e em 1995 uma comissão de obras formada pelos condôminos do Núncio Malzoni, após a publicação de um laudo do IPT que mostrou a gravidade do problema, chamou o engenheiro Carlos Eduardo Moreira Maffei para apresentar uma solução. Solução pioneira A primeira proposta apresentada pela equipe lideradapor Maffei, composta pelo engenheiro de estruturas Paulo Mattos Pimenta e pela engenheira de solos e fundações Heloísa Helena Silva Gonçalves, indicava que um acréscimo de dez a 15 anos na vida útil do edifício poderia ser obtido com o reforço estrutural de pilares e vigas. De acordo com o engenheiro Paulo, a análise dos custos, dificuldades e prazos desse tipo de intervenção levaram a equipe aoptar pela solução do estaqueamento e renivelamento total do edifício. "Se executássemos o projeto de reforço estrutural, além dos transtornos para os moradores, como quebradeiras e sujeira, não iríamos resolver o problema da inclinação", explica.

Para trazer o prédio de volta ao prumo foram planejados uma série de procedimentos. "As primeiras avaliações estruturais foram feitas em 1996 eapontavam uma inclinação de 1,99 m", ressalta Paulo. A primeira etapa do projeto contou com a análise computacional do edifício de 55 m de altura, na qual são representadas as estruturas de concreto armado e calculados seus esforços. "Com o modelo detalhado, passamos a ensaiar possíveis recalques e rupturas, e recriamos a história estrutural do edifício desde sua construção", explica o engenheiroMaffei. O resultado dessas análises mostrou que se o prédio atingisse 2,20 m de inclinação sua segurança estaria comprometida. "Nós idealizamos a estrutura e extrapolamos seus esforços, mas o resultado não indicou que o prédio iria ruir, pois o número é só um referencial hipotético", diz Maffei. A implantação do projeto executivo de renivelamento do Núncio ficou a cargo da construtora Carvalho Pinto, eenglobou as seguintes etapas construtivas:

1ª etapa em 1998 Implantação de fundações profundas por meio da execução de oito estacas em cada lado do edifício, com diâmetros entre 1,00 m e 1,40 m, escavadas com lama bentonítica e protegidas na camada de areia por meio da cravação de camisas metálicas. As estacas atingiram o solo residual a uma profundidade de 57 m em média. "Abaixo da camada...
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