Teoria do conhecimento

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Universidade de Trás-os-montes e alto dourO

LICENCIATURA EM PSICOLOGIA











TEXTOS PARA A DISCIPLINA DE EPISTEMOLOGIA GERAL



PARTE I

A EPISTEMOLOGIA COMO TEORIA DO CONHECIMENTO



LEITURA OBRIGATÓRIA









VILA REAL

2012




















ÍNDICE





1. O QUE É A EPISTEMOLOGIA? 3


2. PROBLEMAS DA EPISTEMOLOGIA 83. MAIS ALGUNS PROBLEMAS SOBRE CONHECIMENTO 15


4. AS CRENÇAS E AS SUAS QUALIDADES 19


5. CONHECIMENTO DIRECTO E CONHECIMENTO INDIRECTO 34


6. FONTES DO CONHECIMENTO 42


7. O CONHECIMENTO COMO CRENÇA VERDADEIRA JUSTIFICADA 45










O QUE É A EPISTEMOLOGIA?
MICHAEL WILLIAMS [1]

O que é a epistemologia? A resposta é: o ramo da filosofia que se ocupa doconhecimento humano, pelo que também é designada de “teoria do conhecimento”. Só que isto diz-nos quase nada. Por que temos necessidade de uma teoria do conhecimento? E ela é uma teoria acerca de quê, e como é que a defendemos (ou contestamos)? Aliás, o que implica dizer que a epistemologia é um ramo da filosofia? O que há de especial nas investigações filosóficas do conhecimento? Em que diferem dadiscussão psicológica ou sociológica acerca do “conhecimento” ou da “cognição”?
Muitos filósofos nos dias de hoje negam que as questões filosóficas acerca do conhecimento tenham um carácter especial. Defendem que a epistemologia precisa de ser “naturalizada”: quer dizer, aproximá-la de uma ou mais ciências, talvez da psicologia cognitiva. Outros filósofos defendem que a epistemologia está morta. Estasperspectivas são dificilmente separáveis: a distinção entre a transformação radical e a abolição imediata não é nítida. Contudo, penso que o naturalismo está enganado e que os obituários da epistemologia são prematuros.
Cinco problemas
Para perceber o que há de diferente numa determinada área teórica, a melhor forma de começar é perguntar que problema (ou problemas) aborda. No que diz respeitoà epistemologia, sugiro que se distinga, cinco tipos de problemas […]. São eles:
1. O problema analítico: O que é o conhecimento? (Ou se preferirmos, o que entendemos ou devemos entender por “conhecimento”? Por exemplo, como se distingue (ou se deve distinguir) o conhecimento da simples crença ou opinião? O que aqui se pretende, idealmente, é uma explicação precisa ou “análise” do “conceito” deconhecimento.
2. O problema da demarcação: Este divide-se em dois problemas: a) O problema “externo” pergunta: sabendo-se de algum modo o que é o conhecimento, poderemos determinar à partida que coisas podemos razoavelmente esperar conhecer? Ou como se refere amiúde, poderemos determinar o âmbito e os limites do conhecimento humano? Será que há assuntos acerca dos quais podemos terconhecimento, enquanto há outros acerca dos quais não podemos ter mais do que opinião (ou fé)? Será que há uma quantidade significativa de formas de discurso que ficam simultaneamente fora do domínio do “factual” ou do que “tem sentido”? O objectivo é traçar uma fronteira que separe a província do conhecimento de outros domínios cognitivos (ou talvez o cognitivo do não cognitivo). b) O problema “interno”pergunta se há fronteiras significativas no interior do domínio do conhecimento. Por exemplo, muitos filósofos têm defendido que há uma distinção fundamental entre o conhecimento a posteriori ou “empírico” e o conhecimento a priori ou “não empírico”. O conhecimento empírico depende (de uma forma ou de outra) da experiência ou observação, ao passo que o conhecimentoa priori é independente daexperiência, fornecendo a matemática o exemplo mais claro. Contudo, outros filósofos negam que se possa fazer tal distinção.
3. O problema do método: Este relaciona-se com o modo como obtemos ou procuramos conhecimento. Sugiro que distingamos três subproblemas. a) O problema da “unidade” coloca a questão seguinte: Há só uma forma para adquirir conhecimento, ou há várias, dependendo do tipo de...
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