Tendencias contemporanias

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Tendências contemporâneas do teatro brasileiro
 
 
Sábato Magaldi
 
 
SE A MODERNIDADE do teatro brasileiro pode ser datada de 1943 com a estréia de Vestido de noiva, talvez o marco da contemporaneidade caiba ser definido como o ano de 1978 pelo lançamento de Macunaíma e pelo fim do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968. Início da fase do domínio dos encenadores-criadores, apartir da montagem de Antunes Filho para a adaptação cênica da Rapsódia de Mario de Andrade, e abrandamento da censura, que levou à mudança da linha da dramaturgia desde o Golpe Militar de 1964.
Costumo afirmar que, didaticamente, certas hegemonias são reconhecíveis no palco brasileiro. Enquanto se realizava, em São Paulo, a Semana de Arte Moderna de 22, o atraso teatral ainda determinou, na décadade 20 prolongando-se até a de 30, a hegemonia do ator. O fenômeno Vestido de noiva, que renovou a dramaturgia, com o texto de Nelson Rodrigues, a encenação, com o trabalho de Ziembinski, e a cenografia, com a arquitetura cênica de Santa Rosa, só produziu frutos imediatos e mais visíveis no campo das montagens. Prolongando e consolidando as criações do grupo carioca amador de Os comediantes, oTeatro Brasileiro de Comédia (TBC), criado em São Paulo em 1948, estabeleceu a hegemonia do encenador com o concurso dos diretores europeus, sobretudo italianos, que também na década de 50 assumiram as rédeas de conjuntos como o Teatro Popular de Arte (Companhia Maria Della Costa-Sandro Polloni), a Companhia Tônia-Celi-Autran, o Teatro Cacilda Becker e o Teatro dos Sete.
A hegemonia do autorbrasileiro só veio a se dar em 1958 quando o Teatro de Arena de São Paulo lançou Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, abrindo caminho para um grupo de jovens talentos. A política de prestígio ao dramaturgo nacional deixou de ser privilégio do elenco paulista para dominar até os redutos que lhe eram mais adversos.
O florescimento da literatura dramática brasileira tornou-se signo da nossamaturidade artística e eis que o Golpe Militar de 1964 - desastroso em todos os sentidos - trouxe para o palco a hegemonia da censura. Ela não veio de repente, como se houvesse outras prioridades a cumprir. A sobrevivência do teatro tornou-se dificílima com a edição do Ato Institucional nº 5 e o advento do governo Medici, que sufocou o que ainda restava de liberdade. No palco só se passou arespirar de novo com a abertura política iniciada no governo Geisel e prosseguida no governo Figueiredo.
A linguagem corrente foi a da metáfora ou, como disse Guarnieri para definir sua produção na década de 70, era possível apenas fazer um "teatro de ocasião". O anseio anônimo de liberdade estimulou os autores a concentrarem-se numa dramaturgia social e política, inimiga das injustiças que advogava aigualdade entre os brasileiros.
O fim da ditadura criou, sob o prisma autoral, inevitável vazio, já que não mais se justificava a mobilização dos autores no combate ao arbítrio. Não que ele deixasse de assumir novas formas, sempre condenáveis. O recurso à metáfora é que já não correspondia às necessidades do momento. Tanto que não funcionou para o público a peça Patética, na qual João RibeiroChaves Netto transpôs para o palco, em 1980, a biografia romanceada de seu cunhado - o jornalista Wladimir Herzog - assassinado pelos órgãos repressores. Já Campeões do mundo, de Dias Gomes, fez em 1979 o balanço do que ocorreu desde o Golpe de 64, sem qualquer artifício exigido pela censura, inaugurando assim nova fase do discurso direto.
Explicação verossímil para um certo declínio da dramaturgiana década de 80 é que, desmobilizados os autores na sua faina política, se requeria um tempo razoável para se reabastecerem com novos materiais do interesse do público. A maturação, sob o estímulo da realidade, demanda uma experiência que não se improvisa. Era natural que o palco cedesse espaço para outras preocupações.
Tais preocupações, por sua vez, não eram gratuitas. No passado, Sófocles,...
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