Tempo pos moderno

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  • Publicado : 28 de março de 2012
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Tempos pós-modernos*
 
 
Gesuína de Fátima Elias Leclerc
Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e bolsista da CAPES. E-mail: gesuina.leclerc@terra.com.br
 
 
Fernando Magalhães reúne, neste livro, de modo conciso, alguns dos temas candentes sobre os processos de intensificação da globalização e da crise do trabalho. O termo"pós-moderno" é empregado como uma rubrica geral, para designar as transformações ocorridas nos últimos tempos, em suas dimensões social, econômica e política. É também uma reação ao significado consagrado por Lyotard, como a "incredulidade diante das metas narrativas" e como um "estado de cultura que se instalou após as transformações que afetaram as regras dos jogos da ciência, da literatura e das artes apartir do final do século XIX" (p. 62).
Como é próprio da série "Questões da nossa época", da editora Cortez, o livro provoca e amplia o debate. Mas o trabalho tem uma particularidade que precisa ser ressaltada, associada ao esforço para o passo seguinte do debate crítico à proposição. Ele aparece na conjuntura de redefinição institucional dos programas de Pós-graduação em Filosofia daUniversidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com a aprovação pela CAPES (nota 4) do Programa Integrado de Doutorado em Filosofia, sediado em João Pessoa (na UFPB). O primeiro do Brasil em filosofia, com um tal perfil, e o primeiro em filosofia da região Nordeste, com aula inaugural ministrada em 20 de março de2006.
O livro de bolso é parte da dedicação pedagógica do autor na proposição da linha de pesquisa denominada "Filosofia Prática" (Ética e Filosofia Política), providencial, neste momento em que "as filosofias políticas cedem lugar ao estudo do irracional, desvinculado de raízes sociais" (p. 56). Tem a marca de esforços bem-sucedidos para qualificar a interlocução institucional, potencializandoos recursos públicos que já são efetivamente gastos, encorajando a pesquisa, no contexto de restrição fiscal, de redefinição do Estado, de produtividade e competitividade, disputando, em alto nível, mais recursos orçamentários para a capacitação intelectual de novas gerações de pesquisadores.
O debate é desencadeado com base no reconhecimento da emergência de um novo sistema político mundial noOcidente, sob a égide (e com apologia) de uma nova ordem mundial, como não poderia deixar de ser. Contudo, a existência de uma ideologia única e a adesão da ex-União Soviética à economia de mercado precisam ser referências problematizadoras. Uma de suas versões é a possibilidade de essa nova ordem representar um "aparente" rompimento com todas as formas de sistemas conhecidas anteriormente (p.17). Abandonar, simplesmente, as velhas certezas da modernidade para pegar carona num período pós-histórico à moda de um Fukuyama ou num período pós-moderno não é o caso em tempos de tantos panegíricos. Não é o caso diante dos argumentos dos entusiastas da sociedade globalizada e da "paz perpétua", a que teria superado o estado de natureza internacional da guerra fria, que não têm como ignorar(ninguém pode ou deve) o repudiável fenômeno do terrorismo (desconsiderado entre os piores cenários até 11/09). Ou mesmo diante dos argumentos que evocam a lembrança do que foi a ruptura entre os universos antigo e medieval, quando os valores unitários e comunitários prevaleceram até o final do Renascimento, com a emergência da sociedade burguesa com seus valores e a emergência do indivíduo, com basena formação dos estados absolutistas no século XVI. Porque, nesse caso, a inevitabilidade nos obrigaria a "aceitar a realidade como ela é e não como deveria ser", à maneira de Maquiavel ou de Henry Kissinger (p. 15), e estaríamos assim entre os realistas e os pragmáticos.
A problematização do estabelecimento de uma nova ordem mundial está implicada na posição que cede espaço à "normatização",...
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