Tecnofobia: um impasse a superar

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DIRECIONAL EDUCADOR
Coluna: E agora, professor?
Março/2012

Tecnofobia: um impasse a superar
Armadilhas oferecidas por leituras superficiais da contemporaneidade

Por Cassiano Zeferino de Carvalho Neto

Frequentemente tenho tido a oportunidade de me dirigir a educadores, especialistas e gestores que atuam na educação, em seus diferentes níveis. Trata-se de momentos únicos uma vez que adiversidade das platéias que interagem comigo apresentam variadas e, frequentemente, complexas indagações e incertezas a respeito do presente.
Um dos aspectos que trazem polêmica gira ao redor dos tempos e modos de intervenção que podem ser situados no ambiente da escola e fora dele, já que as tecnologias digitais que viabilizam comunicação não presencial ampliam, sobremaneira, os estreitoslimites delineados pelos muros físicos da própria escola.
Por esta via, um dos questionamentos que derivam de uma questão relacionada à identidade e sentido que a escola procura encontrar naquilo que faz é aquele que se refere aos novos papéis dos educadores, perante os estudantes. Se em tempos idos as relações eram, ou se gostaria que fossem agudamente verticalizadas, hoje elas se diluem ehorizontalizam por vezes até se perdendo as identidades de papéis vivenciados entre educadores e educandos.
Não é mais incomum, por exemplo, uma experiência frequentemente comentada por todos aqueles que têm filhos, sobrinhos, netas ou netos, mais jovens que vêm em socorro para auxiliar quando não se consegue enviar um simples e-mail, porque o sistema ‘parou’. Geralmente, uma mãozinha competente e hábilsabe bem o caminho a seguir e como fazer para que o problema seja prontamente resolvido, não é verdade?
Por esta linha é cada vez mais frequente nossos queridos estudantes desenvolverem competências e habilidades em sistemas e processos que nós não conhecemos e, menos ainda, dominamos. Como são cenários que envolvem comunicação – e não existe educação sem comunicação – é como se estivéssemos acada dia vendo mais e mais especialistas surgindo, num campo onde não temos toda a destreza, ou ao menos familiaridade, no que se refere às tecnologias digitais. Com isso vamos percebendo que estamos a metros, milhas ou anos-luz de distância daqueles com quem, por dever de ofício, temos o compromisso de promover os processos educativos formais.
Estas distâncias efetivas apresentam um novo tipode dicotomia e, por que não dizer, de tecnofobia. A reação mais primitiva a este cenário é o desenvolvimento de medo por ameaça provocada pelo desconhecido. Imediatamente ouvimos algumas afirmações dos educadores que buscam colocar em cheque a validade dos processos educacionais que possam contemplar suporte das tecnologias digitais, como que colocando como causa de todo mal a existência docomputador, do software, da Internet e de tudo mais que diz respeito ao digital.
Uma reação dessa natureza pode facilmente ser compreendida, afinal de contas estamos, todos, lidando com aspectos que nos parecem frequentemente estranhos, ao menos estranhos ao que fizemos há dez ou vinte anos atrás. Lembramo-nos dos dias de glória onde trazíamos, sem muito gasto de energia, os alunos (aqueles desprovidosde luz) às nossas arenas de conhecimento, onde liderávamos soberanos. Conteúdos conhecidos, vários problemas dos livros adotados resolvidos, livros que pudessem causar divergências ou questionamentos bem distantes, nas empoeiradas prateleiras de bibliotecas pouco visitadas e, claro, nada de Internet, nada de comunicação online e acesso a um universo de informações, distantes a um toque dosdedos... Deles!
Os tempos vêm mudando, as possibilidades também, a comunicação e seus meios nem se fala. E nós, o que e como temos enfrentando tais mudanças? Ou: será que temos nos dado conta, de fato, do que vem ocorrendo? Temos clara ciência do que significa estarmos diariamente lidando com os chamados nativos digitais (ainda que existam aqueles que expurguem este termo)? Em que mundo temos nos...
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