Surgimento

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O surgimento da clínica psicológica: da prática curativa aos dispositivos de promoção de saúde
Jaqueline de Oliveira Moreira; Roberta Carvalho Romagnoli; Edwiges de oliveira Neves
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Resenha por Maria Clotilde Andreotti Zingali    Psicologia 2007
O artigo discorre sobre o conceito de clínica, relacionando com a definição do campo de atuação dopsicólogo, através de uma análise histórica dessa prática, contrapondo a pratica individual à prática social, defendendo esta última como comprometida com a promoção de saúde e engajada na realidade social brasileira.
O surgimento da clínica
No saber médico, não se pode desconsiderar as transformações ocorridas na Grécia, há 2.500 anos, na tentativa de compreender a história da doença que provoca,no paciente, a necessidade de procurar tratamento. Hipócrates inaugurou a observação clínica e criou a anamnese,definindo-a como primeira etapa do exame médico. Já a medicina romana, com Galeno, acrescentou muito aos conhecimentos relativos à anatomia e fisiologia.
O auge da clínica médica se situa entre o final do século XVIII e o início do século XIX, com muitas descobertas no campo da biologiae todas as invenções que possibilitaram a instrumentalização médica. Foucault vai lançar um olhar crítico sobre as relações de poder que vão emergir associadas a este saber – É o biopoder, que vai contrapor-se à biopolítica, que é auxiliada por mecanismos de regulamentação das capacidades biológicas e dos efeitos do meio, modificando parcialmente o biopoder e utilizando-o. É a partir desses doiseixos que se evidenciam as ligações de saber e poder e  que vão emergir os sistemas de vigilância e controle da subjetividade, praticados tanto pela medicina como pela psicologia.
Continuando a perspectiva histórica, dentro das revoluções que vão acontecendo na prática médica, acaba-se chegando à premissa da especialização, da fragmentação e o que é mais importante, numa inversão de valores,quando se delega ao paciente a decisão sobre qual especialista buscar e há um conseqüente afastamento da perspectiva humanista que fundamenta a própria medicina. Na era vitoriana, antes desta prática, é onde Freud vai imprimir na história algumas inovações, criando, para a clínica psicanalítica, um deslocamento do saber para o cliente, mesmo que inconsciente – considerando o analista um facilitador eo paciente elaborando e encontrando sua verdade no próprio inconsciente. É importante destacar então, que enquanto a clínica médica tem na sua base a observação e intervenções sustentadas em diversas tecnologias na busca da cura orgânica, a clínica freudiana, embora também se debruce sobre o cliente na busca do diagnóstico, vai enfatizar a escuta do sofrimento e cujo método de intervenção será oprocesso psicoterapia/análise. Vai mostrar que sua psicoterapia difere da psicoterapia clássica da medicina porque não deposita “algo” na e através da relação, e sim pretende retirar os possíveis significados dos sintomas – preocupando-se com a gênese dos sintomas patológicos e com a trama psíquica da idéia patogênica, que pretende eliminar. Para Freud, a técnica da sugestão não possibilita asustentação da posição de cura uma vez que não permite identificar a resistência, mola propulsora do processo de cura. Avanços como a mudança de paradigma da observação para a escuta, a importância da resistência e considerar o cliente como sujeito de sua história de adoecimento são inquestionáveis dentro da clínica psicológica – mas a clínica psicanalítica vai introduzir também, o segredo como forçamotriz do processo terapêutico o que termina por enquadrá-la em moldes individualistas, fortalecendo o padrão de clínica individual para tratar sofrimentos psíquicos.
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