Soja, por demais

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Soja, por demais.
Personagens:
Zé -
Ricardo Moreira / Sr. Moreira -
Felício -
Dr. Fonseca –
Apresentação – “Nosso tema é: Agroecologia versus agronegócio, a resistência contra o poder. Que fala basicamente sobre a disputa de culturas tradicionais, ou seja, agricultores familiares e similares que plantam arroz, feijão, tomate, cereais em geral, que usamos na nossa alimentação diária, contramonoculturas de soja, cana de açúcar e afins.”
Cena 1 – Vizinho novo.
“Entra, em cena, Zé se abanando com seu chapéu de palha, parecendo cansado.”
Zé – Má, nûm vejo as hora das minha plantinha crescê e essa plantação fica das bonita.
“Olhando em volta, percebe uma movimentação estranha do outro lado de sua cerca. Entra Felício dando ordens a alguém a respeito de tratores.”
Zé – Quá! Quê qui tácontecendo aquí?
Felício – Tô arrumando uns tratores do patrão.
“Zé fica pensativo.”
Zé – Uai sô, Gertulino agora tem peão?
Felício – Gertulino? Não senhor, o meu patrão é o senhor Moreira.
Zé – Nóssinhorá, quê qui é esse?
Felício – Meu patrão é um grande produtor de soja meu senhor. Ele acabou de comprar essas terras, por que, dizendo ele, precisa exportar mais por causa da bolsa aí que subiu.
Zé –Borsa? Mádesdi quando pranta prá comprá borsa alta? Eu hein.
Felício – Vai entender.
“Zé fica pensativo e confuso, mas dá de ombros e volta a cuidar da sua horta. Felício volta a dar ordens.”
Cena 2 – Proposta.
“Tirando leite de sua vaquinha, Zé, vê uma caminhonete nova chegando a sua propriedade. Olha, se levanta e vai em direção ao carro que para perto de sua casa. Do carro sai Sr. Moreira.”
Sr.Moreira – Boa tarde meu caro!
Zé – Boua tarde! Pôsso ajudiar o senhor?
Sr. Moreira – Ora, eu vim aqui conhecer o meu vizinho de propriedades! Prazer sou Ricardo Moreira.
“Moreira abre os braço e vai em direção a Zé, que concede o abraço o fazendo se sentir amigo.”
Zé – Uai sô, vamo entrá então! Pó me chamá de Zé. O café tá quentim na cozinha, num reclama se num tive mistura prá comê, caudisquê a mulhêfoi prá cidade leva as criança pra apará o cabelo.
Sr. Moreira – Perfeitamente!
“Entraram. Moreira se sentou a mesa da cozinha enquanto Zé lhe servia o café.”
Sr. Moreira – Fiquei sabendo que as suas terras são muito produtivas.
“Zé termina de lhe servir o café e senta com ele à mesa.”
Zé – GraçáDeus nunca tive pobrema ninhum cum elas.
Sr. Moreira – Meus funcionários andaram pesquisando e essaregião é uma das melhores para plantações de soja.
Zé – Nussinhora, é um tipo de fêjão?
“Sr. Moreira dá uma risada.”
Sr. Moreira – Tecnicamente sim. Nunca pensou em plantar soja?
Zé – Eu, num senhor, planto o que minha famia precisa pá comê e o que vai sobrano nois vende pra uns mercadim cliente nosso ou na fêra. Inté tão muito satisfeito cum nois.
Sr. Moreira – Hm. Você não acha que a vida no campoé muito complicada? Digo, longe da escola para as suas crianças, dos médicos, universidades, lojas...
Zé – Inté é, má num acho ruim não, cádiquê nois sempre se virô bem demais da conta e num trocaria nossa vida carma daqui do campo, causadi lonjura de cidade não, némezz.
Sr. Moreira – Seria muito bom para as suas crianças se elas estudassem em uma escola da cidade, assim teriam mais chances deentrar em uma faculdade e ter uma vida melhor...
Zé – Qué qui é esse! Ocê que dizê que nossa vida aqui na roça num é boa?
Sr. Moreira – Bem...
Zé – Óiaqui, ocê vá a me discurpá, má nois somo é feliz dimais da conta, pó de parecer que nois num é chique no úrtimo que nem ocê, má nois nunca careceu de ajuda de ninguém.
Sr. Moreira – Se mudarem para a cidade não irá faltar também, e tudo será maisfácil.
Zé – Quê qui o senhor quer afinar?
Sr. Moreira – Olha seu Zé, eu estou interessado em comprar as suas terras, pelo preço que for.
“Zé fica abismado com a proposta e logo se levanta.”
Zé – Oiaquí, minha fazenda num tá a venda não!
Sr. Moreira – Ouça a minha proposta e aí diga se vai querer ou não.
Zé – Má qui incuiado, pare ô! Num quero de ouvi proposta ninhuma! Ocê vá a me dá licença, má eu...
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