Sodepassada

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  • Publicado : 24 de outubro de 2012
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O Auto Da Barca do Inferno
O Anjo ou o Arrais do Céu, fala pouco, fazendo intervenções apenas quando necessárias e quando o faz, sabiamente. Não argumenta de forma insistente com os desejosos passageiros de sua embarcação, pois os mesmos carregam consigo, as marcas de seus vícios terrenos. Desta forma, raramente utiliza argumentos irônicos e apenas aguarda o embarque das poucas almaspuras, que no final são escassas.
O Diabo ou o Arrais do Inferno é aquele que detém mais falas, tem voz ativa durante toda a encenação e por seu caráter persuasivo, faz que o embarque a Barca do Inferno, pareça uma viagem agradável. Para convencer as personagens, acusa-as pelos seus erros quando em vida, conscientizando-as dos mesmos. Mostra-se extremamente sarcástico, dominador etem muita pressa pela viagem, uma vez que sabe que a barca irá cheia. Usa o canto para seduzir as almas no embarque.
O Fidalgo necessariamente representa a nobreza dentro da peça de Gil Vicente. Mostra-se arrogante e por sua posição social, acredita ser merecedor de embarcar na Barca do Anjo. Traz consigo um pajem que levava a cadeira de espaldar para assistir as missas na Igreja.Das personagens que estão na obra é a que mais argumenta, que mais tem voz ativa, e determina a crítica do autor pelas pessoas que se apegam ao status e aos bens materiais.
O Onzeneiro representa o agiota, considerado pelo próprio Diabo como parente, uma vez que se aproveita da desgraça dos outros para tirar proveito, um verdadeiro aproveitador. Carrega um bolsão, a marca de seus crimesquando em vida. É a marca da sua agiotagem.
O Parvo representa o povo e não leva nada consigo da sua estada na terra. Ele é um homem honesto e humilde, que por suas qualidades foi o primeiro a embarcar com o Arrais do Céu, embora antes tenha rejeitado o Diabo com muita coragem e desenvoltura. Ao entrar na Barca, o condutor pede que aguarde se haverá outros a irem para o Paraíso naseguinte viagem.

O Sapateiro dentro da trama representa o comércio e chega trazendo consigo, o avental e as formas do seu ofício. Ele quando em vida, vivia de aparência, enganava as pessoas cobrando sempre a mais pelo serviço prestado. Por morrer confessado, acreditou que embarcaria rumo ao Céu, entretanto, o Anjo disse-lhe que para os que roubam, o desígnio é a maldição.O Frade representa a Igreja e vem trazendo uma jovem e uma espada, esta última a marca de seu santo ofício. Vem cantando e dançando, o que mostra sua acomodação ante a situação a qual aparece ante ao seu destino final. Pelo ofício, achava-se digno do Paraíso, mesmo que a companheira feminina fosse a representação de seu maior delito. Não chega a falar com o Anjo e ao ouvir o Parvo referir-se àbela dama, ele conscientiza-se que a Barca do Inferno é o seu lugar.



Florença é a jovem que acompanha o Frade. Ela é considerada por ele como sua namorada. A personagem não tem fala, mas percebe-se que também se perdeu no pecado por ter desfrutado da companhia carnal do frade.



Brísida Vaz, a Alcoviteira, traz consigo muitos objetos dos quais fazia uso quando em vida,inclusive virgos postiços (hímens), com os quais inventava que as moças que oferecia eram virgens, arrumando assim bons casamentos e ganhando com isso. A tentativa de Brísida Vaz embarcar na Barca do Anjo, utilizou alguns dos melhores argumentos da trama, invocando Santa Úrsula para que o anjo se compadecesse de sua alma. Queria relacionar o que havia feito com o bem posterior que proporcionara aosusuários de seus serviços, no entanto, esquecia que ludibriar o outro também é um pecado fatal.
A personagem do Judeu é claramente apegada ao dinheiro. Sua marca é um bode, o qual ele carrega as costas. Quando chega a Barca do Inferno já oferece dinheiro para que o Diabo lhe embarque, o que demonstra de fato que os judeus não eram bem vistos naquela época e possivelmente eram...
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