Sociologia do conhecimento

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Karl Mannheim (1976) é um dos fundadores da Sociologia do Conhecimento e suas produções são da década de 1930. Para ele seria possível criar um corpo teórico e metodológico que conseguisse captar as experiências científicas com viés social, além da representação calculista e estatística das ciências. O conhecimento é criado em situações concretas e particulares de modo a construir proposições querefletem as reivindicações da produção de conhecimento, em uma situação histórica e social específica que orienta a “perspectiva” científica do pesquisador.

Para Mannheim as relações do indivíduo com a sociedade formam a sua existência e o modo de conceber suas ações sociais, não por um modo determinante de leis sociais, mas pela suas experiências em um determinado contexto social.Dentro de um grupo científico, os tipos de conhecimentos são produtos de ideias que referenciam estes grupos e seus processos de acordo com um corpo teórico e científico datado. Existem ideias que não são válidas em uma determinada época e suplantadas pela época posterior (como, por exemplo, nas ciências exatas). O processo histórico-social é essencial na análise dos períodos e como as ideias foramformuladas para a compreensão da “perspectiva” de conhecimento dos cientistas.

Neste sentido, “perspectiva” significa a maneira pela qual se vê um objeto, o que se pode perceber nele, e como alguém constrói um pensamento (...), algo mais do que a determinação meramente formal do pensamento. Refere-se, também, a elementos qualitativos da estrutura do pensamento, elementos quedevem ser negligenciados por uma lógica puramente formal. São precisamente tais fatores os responsáveis pelo fato de que duas pessoas possam (...) julgar o mesmo objeto de forma bastante diferente. (MANNHEIM, K. Ideologia e Utopia. Rio de Janeiro: Zahar Editores. 1976, p. 293-294).

A Sociologia do Conhecimento de Mannheim realiza uma separação metodológica entre produção científica e contextosocial, para então voltar na análise de seus imbricamentos pelo conceito de ideologia. É fundamental em sua análise buscar analisar a gênese social do conhecimento. A sua Sociologia do Conhecimento, por muitas vezes interpretada como muito complexa e contraditória, pode ser estabelecida como a pioneira em buscar um “conhecimento do conhecimento”. Mas em termos metodológicos, Mannheim estabelece apossibilidade de separar a produção científica, a validade e objetividade do conhecimento científico (e vale destacar que esta idéia para o autor tem como referência as ciências naturais[1]) e relações sociais, ou a vinculação do conhecimento às lógicas temporais, circunstanciais, local e cultural. O próprio autor aponta que “era possível apresentar a Sociologia do Conhecimento como uma teoriaempírica das relações efetivas do conhecimento com a situação social, sem levantar quaisquer problemas epistemológicos...” (Mannheim, 1982, p. 306 apud Rodrigues Júnior, 2002, p.117).


Influenciados por Mannheim e pela obra de Thomas Kuhn, nos anos de 1970, a Escola de Edimburgo - como também é chamado o conjunto de ideias do Programa Forte - irá ampliar as discussões da Sociologia doConhecimento. David Bloor (2009) problematiza a Sociologia da Ciência e a Filosofia da Ciência ao fazer uma análise científica sobre os pressupostos metodológicos destes corpos teóricos: o primeiro corpo teórico baseado em uma perspectiva sociológica que busca analisar os limites da ciência a partir de seu quadro institucional; e o segundo corpo teórico baseado em uma posição teleológica doconhecimento científico – que os aspectos formais do conhecimento científico configuram um fim em si mesmo – sendo a Ciência enquanto instituição um ator social de destaque na sociedade.


Em contraponto a estas perspectivas, Bloor (2009) se aproxima de Mannheim, ao estabelecer que seja possível elaborar métodos de análise sobre a ciência que investigue os conteúdos e a natureza do conhecimento...
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