Saramago

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  • Publicado : 6 de setembro de 2012
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Autor: José Saramago
"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
Palavras de José Saramago, na apresentação pública do seu romance Ensaio sobre a Cegueira.
"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas daminha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."
O Genial José Saramago, autor do livro Ensaio Sobre a Cegueira é um dos maiores escritores vivos, não apenas de língua portuguesa, mas do círculo literário de todo mundo, e também um dos grandes autores latinos de todos os tempos,comparável aos "bruxos das palavras" como Machado de Assis, ou a magos das letras qual Drummond e outros, de que o mundo luso-brasileiro é deveras farto.
Escritor de alta estirpe e de profunda acuidade literária, Saramago acumula prêmios mundo a fora e elogios de crítica à suas obras que, mais do que formarem uma bibliografia, constituem um acervo que dá testemunho ao mundo do potencial artístico eintelectual das nações de língua portuguesa.
Saramago é português de nascimento e residente das Ilhas Canárias, território pertencente à Espanha. Escreveu diversos livros célebres como O Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio Sobre a Lucidez, e Ensaio sobre a Cegueira, que lhe rendeu atribuição do Prêmio Nobel em Literatura, e que é objeto central deste trabalho.
O Ensaio Sobre A Cegueira teve sua1ª edição publicada no ano de 1995, em Lisboa, Portugal. Nesse mesmo ano já fora lançado também no Brasil pela Companhia das Letras e, devido o grande sucesso, passou por inúmeras reimpressões, somando 45 até a última, em 2008. A obra de 310 páginas é tão intrigante (e instigante) quanto misteriosa.
A narrativa envolve o leitor num universo rico em simbolismos, numa atmosfera que mescla aspectosoníricos e lúgubres, o levando a cada momento a uma série de conjecturas e elucubrações. Contudo, a relação de verossimilhança consistentemente presente ao longo da narrativa mantém as projeções aportadas num concreto "princípio de realidade" (Freud) que se lhe parece impactante: uma cegueira branca, de causa desconhecida, que se alastra feito um vírus ao menor contato com os contaminados,deixando toda uma cidade num caos aparentemente irreversível.
Levados pelas autoridades a um espaço improvisado, os cegos são aquartelados em quarentena e obrigados a conviver juntos, em meio à maior desolação de suas vidas, situação em que transparece a forma mais rudimentar da dicotômica constituição humana. Nessa desgraça em que todos se encontram, mas ninguém enxerga, apenas uma pessoa tem,inexplicavelmente, conservado o dom da visão, mesmo convivendo com os contaminados.
O discurso evolui ocultando elementos conclusivos e suspendendo sentenças definitivas quando o progresso natural do texto induz a essa expectativa de fechamento de um período temático ou círculo proposicional – o que faz com sua linguagem adquira configuração semi-hierática, matizado sob um prisma meio soturno,enigmático.

No texto há recorrência de provérbios populares, com conotações religiosas, designativos de sentenças morais, o que aponta que muito da matéria textual da obra advém do contato (in vulgar) popular por meio de narrativa oral, sobretudo de gênese galega, peculiar aos celtibérios – determinados aspectos são expressão conservada e mais antiga dessa forma tradicional de relato. Essa base decomposição narrativa associada ao teor de conteúdo nos aponta mais claramente na direção de uma das chaves ideológicas do discurso – mística religiosa (ainda que o próprio Saramago seja ateu) e relações de poder, endossados por um quadro de figurações lingüísticas que aludem ao Apocalipse e a uma gama de esoterismos resultantes da absorção histórica do paganismo europeu antigo pelo cristianismo...
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