Revolta dos males

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“A Revolta dos Malês na História: uma análise sobre a resistência dos escravos e o saber histórico frente a implementação da Lei 10639/2003”.
Por Juarez de Assis Fernandes e Clarissa F. do Rêgo Barros1 I) Introdução Com o objetivo de realizar uma breve crítica historiográfica sobre a representação da Revolta dos Malês na historiografia e as diversas formas encontradas pelos negros cativos parafugir do controle do senhor, em especial, este artigo pretende compreender “O Grande Levante dos escravos Malês na Bahia em 1835”, como um acontecimento que merece uma atenção maior na história das resistências escravas por ter sido uma revolta marcada por uma rede de complexidades, em que negros escravos e libertos de origem muçulmana lutaram contra as autoridades baianas em pleno cenáriopolítico do período regencial. Além de nos aprofundarmos nos aspectos historiográficos da Revolta dos Malês, torna-se necessário incitar a discussão da não inclusão do tema, como um fato que exemplifica a participação dos escravos enquanto sujeitos históricos nos livros didáticos e no próprio ensino de Historia. Para tal questão, discutiremos posteriormente a partir de depoimentos de professores deHistória de escolas públicas a inclusão ou não da Revolta dos Malês como um objeto de estudo frente a implementação da Lei 10639/2003, que legitima o ensino de História da África nas escolas brasileiras Para refletirmos o tema proposto faz-se necessário concentrarmo-nos fundamentalmente em três aspectos: por um lado a escravidão presente na sociedade brasileira no inicio do século XIX, e por outro lado,as diversas formas encontradas pelos escravos para resistir e quebrar a ordem do sistema escravista da época e o grande debate historiográfico em torno do assunto na Academia. O processo de evidente crise do regime escravista e a incipiente construção da identidade nacional determinou a resistência escrava como um assunto que merece ser bem estudado, como sugerem alguns historiadoresespecialistas no tema, como: Flávio dos Santos Gomes, João José Reis e Eduardo Silva, a fim de construir uma outra forma de narrar a História, não oficial, vista de forma diferente, sob outra maneira de narrar os
Juarez de Assis Fernandes é Historiador e possui Pós-Graduação em História da África. Clarissa F. do Rêgo Barros é Historiadora, Professora de História e atualmente mestranda da PósGraduação emServiço social da UERJ. Bolsista Faperj.
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2 fatos afim de que não sejam contados apenas na visão dos dominantes, mas, através da visão do cativo, na qual, este direcionou suas artimanhas para resistir e fugir do controle do dominador. Diante destes paradigmas teóricos, surgem as questões: como esse escravo deixou seu anonimato para se tornar sujeito ativo da nossa História sendo inserido nos livros,tanto escolar como universitários? Como esses negros puderam lutar de maneira espetacular para se manterem vivos dentro de uma estrutura fortemente armada pelo senhor? Uma estrutura que às vezes dava ao negro um grau de liberdade, mas que ao mesmo tempo lhe tirava essa liberdade, ou seja, uma política muito bem montada pelo senhor de escravos, cheia de complexidade em suas bases.

II)

A Revoltados Malês: história e resistência na Bahia de 1835. O personagem central deste tema são os escravos e libertos muçulmanos em

Salvador – os Malês. (sujeito-escravo). O enredo é a resistência permanente de homens e mulheres vivendo seus anseios e limites numa sociedade escravista fortemente marcada pela exclusão social e racial. 2 Para o historiador João José Reis (2003), os escravos não foramvítimas nem heróis o tempo todo, se situando na sua maioria e em grande parte do tempo numa zona de indefinição entre um e outro pólo.3 O escravo aparentemente acomodado e até submisso, certamente poderia se tornar o rebelde do dia seguinte, dependendo da oportunidade e das circunstâncias que o levaram a cometer o ato de se rebelar. João Reis (2003) afirma que tais negociações, por outro lado,...
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