Resumo e resenha de mal estar de um anjo- clarice lispector

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FACULDADE PADRÃO
CURSO CIÊNCIAS CONTÁBEIS

LÍNGUA PORTUGUESA


GOIÂNIA
2012

LÍNGUA PORTUGUESA

Trabalho, apresentado à disciplina Língua Portuguesa no ensino Básico do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade Padrão Turma , como requisito parcial para nota de N1.

GOIÂNIA
2012

1. Resumo


Neste trabalho, faremos a análise do texto: “Mal Estar de Um Anjo”. Uma obrapóstuma da escritora Clarice Lispector, que tem como tema central a infelicidade e a maldade dos indivíduos uns para com os outros.
Utilizamos ferramentas de pesquisa como a Wikipédia através da internet, bibliografia de Clarice Lispector e vídeos com entrevista da escritora para a TV Cultura, disponibilizados no youtube.




2. INTRODUÇÃO
2.1 Objetivos
Analisar o texto, visando compreendera linguagem e suas interpretações, buscando entender o mundo e as fantasias de Clarice Lispector.

3. TEXTO
MAL ESTAR DE UM ANJO
Ao sair do edifício, o inesperado me tomou. O que antes fora apenas chuva na vidraça, abafado de cortina e aconchego, era na rua a tempestade e a noite. Tudo isso se fizera enquanto eu descera pelo elevador? Dilúvio carioca, sem refúgio possível, Copacabana com águaentrando pelas lojas rasas e fechadas, águas grossas de lama até o meio da perna, o pé tateando para encontrar calçadas invisíveis. Até o movimento de maré já tinha, onde se juntasse o bastante de água começava a atuar a secreta influência da Lua: já havia fluxo e refluxo de maré. E o pior era o temor ancestral gravado na carne: estou sem abrigo, o mundo me expulsou para o próprio mundo, e eu quesó caibo numa casa nunca mais terei casa na vida, esse vestido ensopado sou eu, os cabelos escorridos nunca secarão, e sei que não serei dos escolhidos para a Arca, pois já selecionaram o melhor casal de minha espécie.
Pelas esquinas os carros de motor paralisado, e nem sombra de táxi. E a alegria feroz de vários homens finalmente impossibilitados de voltar para casa. A alegria demoníaca doshomens livres ainda mais ameaçada quem só queria casa própria. Andei sem rumo ruas e ruas, mais me arrastava que andava, parar é o que era o perigo. De minha desmedida desolação eu só conseguia que ela fosse disfarçada. Alguém, radiante sob uma marquise, disse: que coragem, hein dona! Não era coragem, era exatamente o medo. Porque tudo estava paralisado, eu que tenho medo do instante em que tudo paretinha que andar.
E eis que nas águas vejo um táxi. Avançava cuidadosamente, quase centímetro por centímetro, tateando o chão com as rodas. Como é que eu me apoderaria daquele táxi? Aproximei-me. Não podia me dar ao luxo de pedir, lembrei-me de todas as vezes que, por ter ido à doçura de pedir, não me deram. Contendo o desespero, o que sempre me dá uma aparência de força, disse ao chofer. “osenhor vai me levar para casa! É de noite! Tenho filhos pequenos que devem estar assustados com minha demora, é de noite, ouviu?!” Para minha grande surpresa, vai o homem e simplesmente diz que sim. Ainda sem entender, entrei. O carro mal se movia nas lamacentas, mas movia-se – e chegaria. Eu só pensava: eu valho tanto. Daí a pouco já estava pensando: e eu que não sabia que valia tanto. E daí a poucoera a dona-de-casa de meu táxi, já tomara posse e direito do que gratuitamente me fora dado, e energicamente tomava medidas úteis: torcia cabelos e roupas, tirava os sapatos amolecidos, enxugava o rosto que mais parecia ter chorado. A verdade, sem pudor, é que eu tinha chorado. Muito pouco, e misturando motivos, mas chorado. Depois de arrumar minha casa, encostei-me bem confortável no que era meu,e de minha Arca assisti ao mundo acabar-se.
Uma senhora aproximou-se então do carro. Devagar como este avançava, ela pôde acompanhá-lo agarrada em aflição ao trinco da porta. E literalmente me implorava para compartilhar do táxi. Era tarde demais para mim, e seu itinerário me desviaria de meu caminho. Lembrei-me, porém, de meu desespero de havia cinco minutos, e resolvi que ela não teria o...
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