Resumo do livro auto da compadecida

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  • Publicado : 26 de abril de 2011
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Auto da Compadecida (Adriano Suassuna) O ESTILO DO AUTOR Entende-se por estilo do Autor a modalidade de manipulação criadora através da qual o escritor cria sua obra. O estilo do Autor, portanto, é a linguagem através da qual o texto alcança sua forma final e definitiva. Quando se faz a interpretação de uma peça teatral, o estilo do Autor deve ser analisado dentro de uma perspectiva totalmentediferente daquela que adotaríamos para a interpretação do romance, do conto, da novela, do poemas – da Literatura, enfim. Isso acontece porque a concepção do texto teatral baseia-se na finalidade do mesmo: a representação por atores. Já o texto literário é concebido para ser lido e meditado pelo leitor, assumindo, portanto, outra feição. Feita essa observação, vamos reparar que Ariano Suassunaprocura definir a forma final de seu texto através dos seguintes elementos: 1- O Autor não propõe, nas indicações que servem de base para a representação, nenhuma atitude de linguagem oral que seja regionalista. 2- O Autor busca encontrar uma expressão uniforme para todas a personagens, na presunção de que a diferença entre os atores estabeleça a diferença nos chamados registros da fala. 3- Acomposição da linguagem é a mais próxima possível da oralização, isto, é, o texto serve de caminho para uma via oral de expressão. 4- Os únicos registros diferentes correm, com indicados no próprio texto, por conta: a) do Bispo, "personagem medíocre, profundamente enfatuado" (p.72), como se nota nesta passagem: "Deixemos isso, passons, como dizem os franceses" (p.74). b) de Manuel (Jesus Cristo) e daCompadecida (Nossa Senhora), figuras desataviadas, embora divinas, porque são concebidas como encarnadas em pessoas comuns, como o próprio João Grilo: "MANUEL: Foi isso mesmo, João. Esse é um dos meus nomes, mas você pode me chamar de Jesus, de Senhor, de Deus... Ele / isto é, o Encourado, o Diabo / `gosta de me chamar Manuel ou Emanuel, porque pensa pode persuadir de que sou somente homem. Mas você, sequiser, pode me chamar de Jesus". (p.147) A COMPADECIDA: Não, João, por que iria eu me zangar? Aquele é o versinho que Canário Pardo escreveu para mim e que eu agradeço. Não deixa de ser uma oração, um invocação. Tem umas graças, mas isso até a torna alegre e foi coisa de que eu sempre gostei. Quem gosta de tristeza é o diabo (p.171).

5- Quatro denominações de personagens referem-se adeterminados condicionamentos regionais: João Grilo, Severino do Aracaju, o Encourado (o Diabo) e Chicó. Quanto ao Encourado, o Autor dá a seguinte explicação: Este é o diabo, que, segundo uma crença do sertão do Nordeste, é um homem muito moreno, que se veste como um vaqueiro. (p.140) 6- Na estrutura da peça, isto é, na forma final do texto é que se revela o estilo do Autor, concebido com o a linguagematravés da qual ele cria e comunica sua mensagem fundamental. A ESTRUTURA DO AUTO DA COMPADECIDA O estudo do Auto da Compadecida pode ser feito de dois ângulos que se completam: a) a técnica de composição teatral b) a estrutura propriamente dita, ou a forma final do texto. 1- TÉCNICA DE COMPOSIÇÃO. Aqui faremos as seguintes observações: A- A peça não se apresenta dividida em atos. Como o autor dáplena liberdade ao encenador e ao diretor para definirem o estilo da representação, convém anotar que são por ele sugeridos três atos, cuja divisão ou não por conta dos responsáveis pela encenação: Aqui o espetáculo pode ser interrompido, a critério do ensaiador, marcando-se o fim do primeiro ato. E pode-se continuá-lo, com a entrada do Palhaço (p.71). Se se montar a peça em três atos ou houvermudança de cenário, começará a aqui a cena do Julgamento, com o pano abrindo e os mortos despertando(p.137). B- Do ponto de vista técnico, o Autor concebe a peça como uma representação dentro de outra representação. /.../ o Autor gostaria de deixar claro que seu teatro é mais aproximado dos espetáculos de circo e da tradição popular do que do teatro moderno (p.22). A representação dentro da...
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