resenha o rio de janeiro e a republica que nao foi capitulo 1

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  • Publicado : 17 de março de 2014
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Resenha da obra “O Rio de Janeiro e a República”
Ganhador do prêmio de melhor livro em ciências sociais no ano de 1987, o livro “Bestializados: o Rio de Janeiro e a república que não foi” foi escrito por José Murilo de Carvalho, mineiro, formado em sociologia e política pela UFMG, cientista politico, historiador e professor, membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Nacional deCiências e que busca interpretar os conflitos do imaginário político-social fazendo uso de referências literárias, dados e relatos, tornando-se uma enorme fonte cultural.
Em seu primeiro capítulo do livro: o Rio de Janeiro e a República, o autor evidencia as transformações causadas pela proclamação da República e pela abolição da escravidão na cidade. Com a abolição da escravidão altera-se o númerode habitantes, aumentando a quantidade de mão-de-obra livre e de subempregos. Há também uma intensa entrada de imigrantes europeus que aumentaria este contingente de homens livres. O Rio de Janeiro torna-se bastante heterogêneo, com uma população muito diversificada e fragmentada, não podendo ser tomada como uma grande massa formadora de um único bloco homogeneizante. Além disso, também houveramtransformações físicas na capital, como o crescimento irregular, a falta de habitações, de saneamento básico e de abastecimento de água acarretando em um surto de epidemias que assolavam a cidade.
Em transição do regime monárquico para o sistema republicano, a cidade do Rio de Janeiro­ - capital econômica, politica e cultural do país - viveu em sua primeira década republicana uma febril agitaçãoem meio à fase mais turbulenta de sua existência. Pela primeira vez, grande parte dos fluminenses foi envolvida nos problemas da cidade e do país. As alterações quantitativas são inescapáveis. Na primeira delas, de natureza demográfica, alterou-se a população da capital em termos de número de habitantes, de composição étnica, de estrutura ocupacional. A abolição lançou o restante da mão-de-obraescrava no mercado de trabalho livre, aumentou o número de subempregados e desempregados e provocou um êxodo para a cidade da região cafeeira do estado e um aumento na imigração estrangeira. A segunda alteração, esta resultante da intensa imigração, foi o desequilíbrio entre os sexos com a predominância do sexo masculino. Uma terceira consequência do rápido crescimento populacional foi o acúmulo depessoas em ocupações mal remuneradas ou sem ocupação fixa. A questão é que com o crescimento populacional agravaram-se muito os problemas de habitação, de abastecimento de agua, de saneamento e de higiene, em meio ao mais violento surto de epidemias da historia da cidade (varíola, febre amarela, malária e tuberculose). Como resultado disso, a taxa de mortalidade atingiu seu mais alto nível,tornando a cidade um lugar perigoso para viver.
Por outro lado, no âmbito econômico e financeiro, os tempos também foram de grandes agitações. Após a abolição da escravidão, devido à necessidade de aplacar os cafeicultores e de atender uma demanda real de moeda para o pagamento de salários, o governo imperial começou a emitir dinheiro sem nenhum lastro, seguindo-se a febre especulativa. Comoconsequências, houve o encarecimento dos produtos importados devido ao aumento da demanda e ao consumo conspícuo dos novos ricos; a inflação generalizada; a queda do câmbio e; o governo ao aumentar os impostos de importação e cobrá-los em ouro, junto com a imigração que ampliava a mao-de-obra e acirrava a luta pelos escassos empregos, contribuiram para o agravamento do custo de vida.
A política foioutro aspecto saliente das transformações e abalos sofridos pela capital federal. A proclamação da República trouxe grandes expectativas de renovação politica, de maior participação no poder por parte não só de contra-elites mas também de camadas antes excluídas da política. Depois da independência, era o momento de maior gloria e de maior visibilidade para a capital. Os militares tinham provado o...
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