Resenha para fico, carlos. como eles agiam – os subterrâneos da ditadura militar: espionagem e polícia política. rio de janeiro: record, 2001.

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Resenha para FICO, Carlos. Como eles agiam – Os subterrâneos da Ditadura Militar: espionagem e polícia política. Rio de Janeiro: Record, 2001.

Como eles agiam.


Aluno da Pós-Graduação em História do Brasil da Universidade Federal Fluminense.

Carlos Fico é professor de Teoria e Metodologia de História desde 1985. Atualmente atua na Universidade Federal do Rio de Janeiro, dando aulas nagraduação e na pós-graduação. Publicou outros trabalhos que tratam do período da Ditadura Militar – Reinventando o otimismo: ditadura, propaganda e imaginário social no Brasil e O regime militar e Ibase: usina de ideias e cidadania.
Para o título de seu livro, Carlos Fico se inspirou num folheto que havia vazado do DSI do Ministério da Educação e Cultura, publicado em janeiro de 1974 no jornal OEstado de São Paulo. Conhecido “Como Eles Agem”, tinha como alvo o movimento comunista internacional e os seus supostos métodos de atuação.
Neste trabalho, Fico inverte o alvo. Baseados em pesquisas de documentos oficiais dos órgãos do governo Militar, ele destrincha a formação destes, suas ideologias, procedimentos e ações.
Jacob Gorender é responsável pelo prefácio deste livro. Ele oclassifica como um livro pioneiro, que consiste na exploração feita, pela primeira vez, de documentos oficiais oriundos de órgãos do governo envolvidos diretamente com a repressão à organizações de esquerda armada.
De acordo com Gorender, Carlos Fico faz um levantamento “cuidadosamente reconstituído do processo de formação de uma estrutura policial-burocrática-totalitária, promovida pelos altos comandosmilitares [...].”
Em sua introdução, o autor preocupa-se em afirmar que seu livro não é sobre o golpe de 1964 ou sobre o regime militar como um todo, mas sobre o sistema de informação e segurança.
Ainda em sua introdução, Fico estabelece uma comparação entre militares moderados e radicais, deixando claro que esta classificação era meramente convencional e controversa, pois ambos os gruposparticiparam ativamente dos órgãos que integravam o sistema de segurança. Para ele classificar estes grupos deveria se “levar em consideração os aspectos de natureza política, para além dessas posturas que admitiam maior ou menor violência contra ‘inimigos’ do regime.”
Carlos Fico finaliza sua introdução explicando que pretende fornecer um painel geral do tema, enfatizando questões estruturais dosistema de informação e segurança. Visto que, o autor encontrou na documentação pesquisada do acervo da extinta DSI/ MJ (Divisão de Segurança e Informação do Ministério da Justiça) uma série de referências a diversos assuntos que não caberiam ser tratados nessa obra.
No capitulo Escala Inicial é abordado a formação da linha dura, inicialmente como grupo de pressão política com o tempo ganhando forçacomo um grupo distinto dentro do governo Castelo Branco. Esta pressão cria com o passar do tempo os aparatos necessários para a criação do serviço de informação, a policia política e a comunidade de segurança.
O serviço de informação é inaugurado no governo Castelo Branco, ainda em 1964, pelo General Golbery do Couto e Silva e logo chamado de Serviço de Informação Nacional (SNI), tendo em vista aimportância estratégica do Brasil no contexto político internacional da Guerra Fria.
Enquanto o sistema de informação já se consolidava formalmente, a montagem de um setor especificamente repressivo era impedida por Castelo Branco, mesmo após a proposta feita pelo então Ministro da Guerra Costa e Silva. Com estas negativas de endurecimento do regime, travava-se dentro do governo uma disputavelada entre moderados e linha dura.
Ainda no primeiro capitulo é tratado o endurecimento do regime após o governo de Castelo Branco, com a instituição do AI-5, SISSEGIM e do famoso sistema conhecido como DOI-CODI.
Em, A estrutura de espionagem: o SISNI o autor trata da formação do Sistema Nacional de Informação (SISNI), instituído a partir de 1970. Tal sistema concentrava-se no SNI, porém a partir...
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