Resenha obvio e obtuso

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  • Publicado : 9 de setembro de 2012
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Resenha de parte do livro Óbvio e Obtuso, do Roland Barthes

Para Barthes a fotografia jornalística é estabelecida por um conjunto de técnicas que a produzem, compõe, retocam, entre outros fatores. A mensagem na fotografia é repassada do mesmo aspecto da comunicação/recepção, onde o meio receptor é o leitor do jornal. E conforme diversos fatores como título, legenda, diagramação e, até mesmo,o próprio nome do jornal, acabam por exercer uma grande influência na leitura da mensagem, isso porque são fatores sociológicos que definem o comportamento e atitudes perante a sociedade.
A fotografia não é apenas produto, mas sim objeto de autonomia estrutural, com método particular e análise sociológica, que também acaba por identificar-se com estrutura do texto (título, legenda ou artigo),recebendo então o apoio da linguística. O que define a fotografia é uma mensagem sem código, contínua, como tantas outras reproduções que desenvolvem o próprio conteúdo analógico – cena, objeto e personagem – e o que “suplementa” é o estilo do criador e o significado, estético ou ideológico. A mensagem denotada – próprio analagon – e a mensagem conotada , a maneira como a sociedade oferece aleitura, ode o código do sistema conotado é provavelmente constituído por uma simbologia universal, com retóricas de época e certos estereótipos.
Em todas as estruturas de informação a fotografia é a única a ser exclusivamente constituída por uma mensagem “denotada”, pois garante o sentimento de plenitude, tornando a descrição, ao pé da letra, impossível. Então, pode-se acrescentar a linguística. ParaBarthes, o paradoxo fotográfico consistia, então, na coexistência de duas mensagens: uma sem código (sem o análogo fotográfico) e a outra codificada – que seria a arte ou o tratamento, ou a escritura, ou a retórica da fotografia.
A conotação é o sentido segundo a mensagem fotográfica que pode ser elaborada através de diferentes níveis, entre eles escolha, enquadramento, diagramação, entre outrosque possibilitam definir parte da estrutura, porém nada tem a ver com a significação de uma análise posterior. A conotação é produzida por uma modificação do próprio real da mensagem denotada, através da trucagem – caracteriza-se por intervir, sem prevenir, no próprio interior do plano de denotação, em nenhum outro procedimento a conotação incorporar tão completamente a mascara objetiva deconotação, outro fator é a pose – própria pose do modelo que surge a leitura dos significados de conotação. Como exemplo a foto que transpassa juventude, espiritualidade e pureza do presidente Kennedy, visto de perfil e olhos voltados para o céu, o leitor recebe como uma simples denotação o que na verdade é uma estrutura dupla, denotada/conotada – e o objeto - que por sua vez são objetos artificialmentedispostos diante da objetiva, como indutores comuns de idéias e como captados em uma cena imediata e espontânea. Além disso, nos procedimentos de conotação estão: fotogenia – aqui a mensagem conotada está na própria imagem, embelezada por técnicas de iluminação, impressão e tiragem, esteticismo – a composição ou substância visual deliberadamente tratada “na palheta”, para significar-se ela comoarte ou para impor um significado mais sútil e mais complexo e sintaxe, que é o encadeamento de várias fotografias formando sequência, comum nas revistas ilustrativas, mas que traz o significante da conotação, não na sequência, mas no nível de encadeamento.
Segundo Barthes, o homem projeta na leitura da fotografia sentimentos e valores eternos e históricos, cujo leva a significação elaborada por umasociedade ou histórias definidas. A significação é o movimento dialético que envolve a contradição entre homem cultural e homem material. Graças ao código de conotação, a leitura fotográfica é, pois, sempre histórica, dependendo do saber do leitor, tal como se fosse uma verdadeira língua, podendo ser perceptiva – conotação ideológica – introduzindo a leitura da imagem razões ou valores e...
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