Resenha: freller, c. c. o trabalho com os professores. cap. vi histórias de indisciplina escolar. são paulo: casa do psicólogo, 2001.

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  • Publicado : 29 de outubro de 2012
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A autora, Freller, relata neste texto pesquisas que realizou sobre casos de indisciplina na escola e intervenções realizadas no âmbito escolar para encaminhar os casos ajudando a solucioná-los. Durante sua intervenção a forma de pensar dos professores sobre indisciplina foi mudando.
O relato dos casos de indisciplina pelos professores foi analisado explicitando conjuntamente os sentidos quecada um dá para as experiências de indisciplina vividas em sala de aula. A autora descreve como fez uma reflexão crítica junto com os professores a respeito de suas concepções sobre indisciplina, suas causas e formas de enfrentá-la. Através dessa análise crítica é possível encaminhar casos específicos de indisciplina.
Ela, como psicóloga, elabora estratégias para ouvir a versão de alunos, pais eprofessores sobre indisciplina. Propõe grupos de professores, conversas individuais com alunos, reunião de pais, de professores. Faz visita a casas de alunos. Dessa forma, reunindo diversas informações de fontes diferentes ela discute e analisa com os professores os casos de indisciplina e os encaminhamentos que vai dar para os casos.
A busca do diálogo é um dos objetivos, inclusive entre ospróprios professores, pois suas concepções sobre as causas da indisciplina não são compartilhadas por eles. A autora busca portanto, promover experiências que provoquem ações transformadoras na prática pedagógica.
Em uma primeira reunião com os professores, Freller os convida a refletirem sobre os casos de indisciplina com o objetivo de promover um entendimento entre eles. As primeiras respostas queouve dos professores é que os problemas de indisciplina nada tem a ver com a escola, mas sim com o próprio aluno, com a família, com a comunidade. Entendem que a indisciplina não é produzida dentro da escola e que eles não tem participação nela.
O que eles chamam de indisciplina é mexer-se, conversar, não usar uniforme, responder ao professor, não sentar, não se concentrar, falar palavrão, nãolevar material, sair toda hora da sala. A autora, ao analisar a fala dos professores não encontra comportamentos explicitamente violentos. Indisciplina para eles é, portanto, transgressão das normas.
Os professores nutrem expectativas irreais dos alunos. Buscam no aluno real um comportamento idealizado. Algumas falas dos professores justificam o comportamento de indisciplina como um pedido desocorro, dizendo que os alunos indisciplinados querem chamar a atenção. O problema sempre está fora da escola: família, problemas emocionais, sociedade. A escola nunca faz parte do problema. Não justificam o fato por ter 48 alunos na sala de aula.
Muitas vezes os professores realizam um diagnóstico do aluno indisciplinado, estereotipando seu comportamento e medicalizando-o, com o problema tendosurgido dentro da escola. Outras causas da indisciplina apontadas pelos professores é o ensino em ciclos com progressão continuada e o ECA. A progressão continuada é vista como causadora de uma perda de autoridade do professor e o ECA, segundo eles, os fazem ficar de mãos atadas.
Quanto às estratégias adotadas pelos professores para enfrentar a indisciplina, muitos deles mandam os alunos para adiretoria, outros sugerem que deveriam se revistar os alunos, com medo de violência. Uma das soluções mais faladas foi conversar com o aluno. Porém, o que eles entendem por conversa é uma via de mão única onde o professor fala e o aluno escuta. É uma “conversa – sermão”, na qual a preocupação é moralizar, ditar regras.
Conforme Aquino (1996) já descreveu, os professores fazem uma série detentativas de disciplinar e moralizar os alunos através do uso de autoridade para obter alunos quietos e interessados. Porém ele constata que, na verdade, essas estratégias provocam alunos desinteressados e a solidão e o cansaço do professor. E, de fato, os professores citam na reunião sentimentos de cansaço e desânimo, além de sentimentos de indignidade e desvalorização. Ao se verem confrontados com...
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