Resenha do texto: michels, rober. "sociologia dos partidos políticos"

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  • Publicado : 5 de maio de 2011
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS
CIÊNCIA POLÍTICA 3

Resenha do texto: MICHELS, Robert. “Sociologia dos Partidos Políticos”.

“Quem fala de organização fala de tendência à oligarquia” [1]. Partindo desta frase transcrita do texto de Michels, para a resenha que aqui se fará, poderemos captar a acurada análise acerca das condições depossibilidade da democracia que o autor estuda em sua obra. Ao estar situado dentro da corrente dos teóricos que à época (século XX, década de trinta) convencionou-se chamar “elitismo”, junto com Mosca e Pareto, o autor se inscreve no pensamento que formula a constituição da sociedade uma divisão de caráter político-social manifestado na relação entre os indivíduos imersos nesta. Distinguindo-se dosoutros dois autores quanto ao conteúdo que preconiza esta divisão, mas guardando à forma que os faz se aproximarem, Michels considerará, desde as organizações partidárias, sindicalizadas, profissionais e a própria sociedade, a emergência ao longo da história e a existência como constante empírica de uma minoria dirigente e uma maioria dirigida.
O primeiro capítulo de sua obra começa com umacontra-afirmativa peremptória: “Não se concebe a democracia sem organização. A demonstração dessa tese pode fazer-se em poucas palavras” [2]. Ora, ao que nos está a remeter o autor? Fundamentalmente, que as bandeiras de reivindicações, propostas políticas, fins ideológicos, desejos de justiça social, entre outras aspirações com vistas à um ideal democrático, dentro da coletividade, no campo social,só podem ser pensadas e concretizadas desde que a luta dos agentes aspirantes “se desenvolva no terreno da solidariedade entre indivíduos com interesses idênticos”, em outras palavras, que se organizem. Raciocinando logicamente, a conclusão mais evidente, e que se coloca, portanto, é de levar à cabo esta premissa para a solução dos fins práticos da ação política de massas vinculada à concepçõesdemocráticas. O que, não invalida o raciocínio, mas mostra o caráter paradoxal da organização é que ela se apresentando como necessidade para a concretização das demandas, emerge como a que dificulta o exercício pleno de um autogoverno, um governo direto das massas. Michels dirá:

“Mas o princípio da organização, politicamente necessário, se permite evitar a dispersão de forças, propíciaaos adversários, envolve alguns perigos. (...). É que a organização constitui precisamente a fonte que as correntes conservadoras lançam na planície da democracia, e ocasionalmente, as inundações que tornam essa planície irreconhecível” [3]

Seria simples pensar que bastando uma contraposição de forças para barrar estes adversários para que o exercício pleno da democracia estivessegarantido. E aí que a análise Michels se revela preciosa. Partindo não das relações de força entre campos ideológicos opostos na constituição das formas e organizações da sociedade, mas em uma constatação empírica de uma composição social que antecede estas lutas, subjacente a realidade social, Michels constrói uma bem exemplificada estrutura argumentativa para fundamentar de que maneira esta dicotomiasocial se constitui e quais os determinantes que fazem a sua reprodução e, principalmente, a sua inevitabilidade sociológica[4].
A primeira apreciação que torna mais quimérico do que realidade a efetivação do pleno exercício democrático (ação direta das massas), é ironicamente, a organização. Sua necessidade surge, quando a questão prática é posta em voga, aonde a necessidade de se administraras demandas políticas do campo social – tomadas de decisões políticas e econômicas e a sua concretização na sociedade – exigem uma contrapartida organizacional. Justamente pela necessidade de gestão, condição primeira da fruição de adequação das demandas e ofertas (políticas, sociais, econômicas, culturais), criadas pelos agentes em relação na sociedade, que a organização se apresenta como...
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