Resenha do livro “londres e paris no século xix: o espetáculo da pobreza”, de maria stella martins bresciani.

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  • Publicado : 23 de janeiro de 2013
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Maria Stella Martins Bresciani é graduada em História pela Universidade de São Paulo (USP) e, atualmente, leciona História Moderna e História Contemporânea na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Em “Londres e Paris No Século XIX: O Espetáculo Da Pobreza”, a autora utilizou-se de documentos históricos e literários para reconstruir a vida urbana incipiente nessas duas cidades.
MariaStella Martins faz uma descrição minuciosa de duas grandes capitais do velho mundo no século XIX, Londres e Paris, porém, longe de realizar uma visão romancista e fantasiosa, ela nos oferece um trabalho focado mais para o lado tumultuado e aterrorizador das duas cidades. A autora nos traz um agudo olhar sobre a dura realidade das ruas, numa época onde a industrialização tinha acabado de criar suasraízes e trazido consigo seus males sobre uma população pobre e ignorante.

O livro esta dividido em cinco capítulos principais, além de uma Introdução e de uma seção dedicada a indicações de obras para um aprofundamento maior sobre o tema. O livro conta com uma linguagem simples e de fácil entendimento, um aspecto interessante de se notar é o fato de que a autora constantemente faz uso de citaçõesde autores como Victor Hugo,Baudelaire, Dickens e Edgar Alan Poe, oferecendo ao leitor a visão daqueles que realmente viveram a época detalhada no livro.

Em sua Introdução, a obra é dedicada a falar sobre a multidão, fenômeno este que era massivamente estudado por uma maioria de literatos do século XIX. Para Londres e Paris essa massa mecânica de pessoas é algo novo que causa tanto espantoquanto admiração entre os estudiosos da época, portanto se faz necessário o uso de um conhecimento que “divide e agrupa, que localiza e designa a identidade das pessoas” (p.8) pertencentes a esse novo fenômeno social.

Em “A Rua e Seus Personagens”, primeiro capitulo do livro, a autora se dedica ao estudo da função que adquire o olhar na nova concepção urbana, e do tempo que iria ser o regulador detodas as atividades da cidade. A confusão e o tumulto das multidões realizando seus deveres habituais fazem com que a vida nas grandes cidades pareça um espetáculo passando diante dos nossos olhos. Outro aspecto interessante do olhar é a capacidade de particularizar estranhos, através da retribuição de olhares, mesmo tendo consciência da mínima possibilidade de um reencontro. No ambiente urbanonão há espaço para o tempo natural, dos afazeres subordinados às estações do ano, o tempo dividido em 24 horas é o único capaz de gerar riqueza e disciplinar a sociedade, pois traz consigo a “obediência ao seu contínuo e irreversível fluxo”.(p.18)
No segundo capitulo, “A Descida aos Infernos”, é nos apresentado um pensamento de Engels sobre como a indiferença e o isolamento das pessoas iriaresultar em uma guerra civil ou uma “guerra social, a guerra de todos contra todos”(p.24). Uma grande parte deste capítulo trata sobre as implicações econômicas da degradação física e moral dos trabalhadores das grandes cidades, pois com trabalhadores cada vez mais prejudicados por um sistema que só exige dele a sua força física, não haveria espaço para a educação das massas o que impediria o crescimentoprodutivo da comunidade como um todo. E quando essa população superexplorada tomasse conhecimento real de sua condição iria demonstrar todo seu descontentamento em violentas revoltas populares. O capitulo termina com uma serie de descrições da cidade de Londres com o intuito de mostrar que a “fama” desta cidade não era muito positiva fora de suas fronteiras. “Londres vai se tornando (...) osímbolo das más conseqüências da vida urbana e da industrialização”.(p.42)

“A Colméia Popular”, terceiro capítulo do livro, inicia-se com o estudo do fato da exteriorização do trabalho, que causa espanto ao cidadão contemporâneo, pois este passa a ver todos os dias os sinais da miséria estampados nos rostos de milhares de trabalhadores, sinais estes que antes só era perceptível em velhos e...
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