Resenha do livro cidadania no brasil um longo caminho

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 9 (2220 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 3 de março de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
RESENHA DA OBRA “CIDADANIA NO BRASIL – O LONGO CAMINHO”


O livro, Cidadania no Brasil- O Longo Caminho, escrito pelo professor José Murilo de Carvalho, trata da trajetória da construção da cidadania no Brasil a partir de sua independência, em 1822. Segundo o autor, “tornou-se costume desdobrar a cidadania em direitos civis, políticos e sociais” , neste ordem. Esta distinção foi propostainicialmente por T.A.Marshall. Os direitos civis garantem a vida em sociedade, os direitos políticos garantem a participação no governo da sociedade e os direitos sociais garantem a participação na riqueza coletiva da sociedade. Segundo Marshall, esta seqüência não é apenas cronológica, mas também lógica .
O capítulo em questão, Primeiros Passos (1822-1930), discorre sobre os 108 anos da história doBrasil desde sua independência até o final da Primeira República, em 1930. Segundo o autor, a construção da cidadania no Brasil não seguiu a mesma seqüência proposta por Marshall. Segundo ele, “entre nós o social precedeu os outros” . Neste capítulo ele argumenta o tema da seguinte maneira: primeiro, ele retrocede ao período do descobrimento até a independência (1500-1822), pois existem algunselementos neste período que deixaram marcas distintas na construção da cidadania nacional, a saber: a dominação portuguesa, a exploração dos recursos naturais, o extermínio dos índios, o latifúndio e a monocultura escravagista; segundo, ele avalia a partir de 1822, onde, efetivamente, mesmo de forma lenta, inicia-se com os direitos políticos à frente a trajetória da cidadania; e, por fim, ele descreveos grandes empecilhos que a herança colonial impôs aos direitos civis, base para o desenvolvimento lógico da cidadania, segundo Marshall.
Em seu período inicial (1500-1822), os colonizadores portugueses nos legaram um gigante territorial, mas também uma população analfabeta, uma sociedade escravocrata, uma economia monocultora e um Estado absolutista . Sem dúvida, segundo o autor, o fator maisnegativo de todos para a construção da cidadania foi a escravidão . Ela constituiu-se em um ambiente extremamente desfavorável à formação de futuros cidadãos. Eles não tinham direitos básicos alguns, como: liberdade, justiça, integridade física, educação, e até a própria vida. Por outro lado, existia uma ausência sentida de um poder público que garantisse e amparasse os direitos dos próprioscidadãos comuns, sendo estes entregues, em sua maioria, aos grandes proprietários e chefes locais. O analfabetismo grassava em 85% da população. Quem quisesse seguir um curso superior teria que viajar para Portugal. Resumindo, neste período não havia sociedade política e nem “cidadãos”. Os direitos civis beneficiavam poucos. Os direitos políticos inexistiam e ainda não se falava em direitos sociais.Este era o triste quadro do Brasil Colonial.
A partir de 1822, com a proclamação da Independência do Brasil, os direitos políticos saíram na frente, contrariando a teoria de Marshall. Segundo o autor, “a Independência foi uma negociação entre a elite nacional, a coroa portuguesa e a Inglaterra, tendo como mediador o príncipe D.Pedro” , portanto, uma jogada política. A escolha pela monarquiadeveu-se as elites que entendiam que somente a figura de um rei poderia manter a ordem social e a união das províncias. O povo não passou de um mero expectador. A Constituição outorgada em 1824 compôs o quadro político onde os três poderes tradicionais foram estabelecidos, acrescidos do Poder Moderador, privativo do imperador. Criava-se assim a monarquia constitucional. O voto e as eleições foram avançosimportantes, embora tacanhos, na cidadania nacional, já que as eleições eram indiretas e em dois turnos, onde mulheres, escravos e aqueles com renda inferior a 100 mil réis eram impedidos de votar. As eleições eram na sua grande maioria uma luta política baseada em interesses locais dos coronéis dominantes. Eram intensas e violentas, corruptas e desleais. O povo servia aos interesses do chefe...
tracking img