Resenha de "geografia da fome"

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  • Publicado : 5 de março de 2013
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Resenha do livro “Geografia da Fome”, de Josué de Castro

Escrita na década de 40, esta obra permanece bastante atual, tanto quanto Geopolítica da Fome (de 1951), na qual o autor também aborda o mesmo assunto. Josué de Castro aborda a questão da fome de forma detalhada e, poderíamos até mesmo dizer, de forma interdisciplinar, pois não são apenas os aspectos geográficos e históricos que sãoanalisados, como também diversos dados nutricionais nos são apresentados.

No prefácio, o autor demonstra um certo entusiasmo com a industrialização pela qual passava o Brasil, que poderia oferecer novas possibilidades de integração econômica aliada ao aumento da qualidade de vida da população. É interessante em 2012 observarmos tal ponto de vista, já que estamos passando (ou nos é imposta essaideia) por transformações econômicas no país e melhoras nas condições de vida da população e mesmo assim a questão da fome permanece tão pertinente à nossa realidade. Isso talvez seja devido até mesmo por permanecer o dilema apresentado por Castro na década de 40 ao país, talvez não na mesma proporção, mas ainda presente: a de buscar um desenvolvimento econômico que priorize a indústria e o mercadointerno e externo ou então viabilizar medidas políticas e econômicas que busquem um desenvolvimento aliado ao bem-estar social.

O autor afirma que a análise da questão da fome do Brasil serve como ponto de partida e até mesmo ponto referencial para um trabalho mais abrangente, baseado nas possibilidades de análise que são proporcionadas pelas variações geográficas e sociais de um país comterritório de dimensões continentais. A fome não é um problema isolado e tampouco exclusivo de determinadas regiões do globo. Mesmo assim, é um problema pouco discutido, pois preconceitos morais e os interesses de uma minoria dominante acabam evitando esse debate.

O contraste do desenvolvimento de núcleos econômicos e populacionais em detrimento de grande parte restante do território pode também sernotado a partir da observação das incidências de fome entre estas áreas. A fome não seria resultado exclusivo das características climáticas e geográficas das regiões brasileiras, como também seria produto das diferenças sociais cunhadas desde a época colonial e de suas práticas econômicas. Além disso, o vasto território guardaria a possibilidade de uma produção alimentar ampla que poderia supriresses quadros de carência.

O autor estabelece uma divisão do Brasil “da fome” em duas áreas: a Área da Fome seria caracterizada pela carência nutricional de mais da metade de sua população. Esta área também teria sua divisão, entre as áreas de fome endêmica (Área Amazônica e Área do Nordeste Açucareiro), onde há a permanência desse estado de fome e as áreas de epidemia de fome (Área do SertãoNordestino), quando o estado de fome se dá em determinados períodos. A outra área desta divisão do território brasileiro é a Área de Subnutrição (que inclui o Centro-Oeste e o Extremo-Sul) que, apesar de também contar com inúmeros problemas, não apresenta deficiências e necessidades alimentares tão profundas quanto na Área da Fome. Como fica claro o objetivo de analisar a questão da fomegeneralizada, esta última área é analisada brevemente em seus aspectos nutricionais.

Em relação à Área Amazônica, o autor mantém uma visão bastante ligada às condições naturais. Para ele, a inserção de núcleos populacionais em um território naturalmente agressivo e com uma oferta nutricional abaixo dos padrões das outras áreas pode justificar um pouco da situação da fome. No entanto, mesmo que ahostilidade natural tenha uma grande influência, a ação do homem também se mostra como responsável pela manutenção desses quadros de miséria. O ciclo da borracha, no fim do século XIX e início do século XX, resultou em exaustiva exploração dos recursos naturais da região. Com a crise da borracha, a região perdeu a importância e os grandes contingentes de exploradores saíram da região. Segundo Castro,...
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