Resenha critica

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BRETON, Philippe, SERGE, Proulx. Sociologia da Comunicação. São Paulo: Loyola, 2002.

1. OS PRIMEIROS PASSOS DA ESCRITA

A linguagem exerce um papel fundamental na comunicação social. Por isso ela é o ponto de partida, a mais antiga camada arqueológica, de todas as técnicas de expressão geradas por ela, em particular a escrita e, algum tempo depois, a sistematização das regras daexpressão oral sob a forma da retórica. A função argumentativa da linguagem é um dado histórico bem anterior à invenção da retórica. Essa intensa atividade de argumentação e de persuasão, que caracteriza o humano, o distingue tão claramente do animal quanto sua atividade técnica. Argumentação e ferramentas técnicas talvez estejam, nessa perspectiva, na origem da humanidade.
Os lingüistas arrolamtrês mil línguas faladas atualmente (outras quatro mil teriam desaparecido); apenas uma centena delas é efetivamente transcrita graças à escrita (ideográfica ou alfabética). Ora, como nos lembra enfaticamente Eric A. Havelock[1], toda concepção que associe a riqueza e a complexidade de uma cultura a certo desenvolvimento do uso da escrita deve ser descartada resolutamente. Uma cultura pode dependertotalmente, de uma maneira ou de outra, da comunicação oral e ser todavia uma cultura no sentido pleno do termo, dotada de plena capacidade argumentativa.
A invenção dessas duas técnicas de comunicação específicas que são a escrita e a retórica deve, portanto, ser imperativamente recolocada no contexto histórico de sua aparição, o único capaz de nos informar sobre sua necessidade e seu papel. Defato, não há necessidade biológica para a emergência das técnicas nesse domínio, mas antes uma contingência social.

O NASCIMENTO DA ESCRITA

A história da invenção da escrita, como técnica de transcrição da língua falada, se realiza em duas grandes ondas sucessivas, correspondentes a dois modos de escrita materialmente diferentes: a escrita ideográfica quer seja ela puramente figurativa quersirva também para expressar sons, e a escrita alfabética. A escrita ideográfica nasceu na Mesopotâmia, provavelmente por volta do quarto milênio a.C. No início, de acordo com o que sabemos, era puramente pictográfica, ou seja, um desenho figurativo servia para representar um objeto ou um dado ser (um desenho de árvore para uma árvore, uma cabeça de asno para representar um asno etc). Em seguida,por volta do ano 3000 a.C., o pictograma tornou-se mais abstrato, e sobretudo uma combinação de desenhos podia referir-se foneticamente a uma palavra sem que houvesse uma relação figurativa direta entre essa palavra e os desenhos correspondentes (por exemplo, a palavra "camaleão" seria designada por intermédio do desenho de uma "cama" e de um "leão").
Os egípcios também utilizaram uma escrita dessetipo, mas seus hieróglifos, mais ricos e mais diversificados, tinham uma capacidade de expressão da língua escrita muito maior do que a escrita "cuneiforme" dos sumérios da Mesopotâmia (a escrita cuneiforme tem seu nome originado em cuneus, "cunha" em latim, porque seus desenhos parecem ser uma combinação de sinais em forma de cunha, o que se explica pela natureza do punção utilizado, talhado naponta em forma de um triângulo bem longo para gravar na argila).
A presença, lado a lado e em um mesmo texto, de desenhos que precisam ser interpretados no sentido figurativo (o desenho de um pato para um pato) e de desenhos que, ao contrário, precisam ser tratados como o equivalente de um som falado (um "pato" para a segunda parte da palavra "sapato") acarretou a formação de uma categoriaparticular lê signos, os "determinativos", que indicam como deve ser interpretado o signo que eles acompanham e permitem determinar, por exemplo, se certo desenho deve ser entendido no sentido figurativo ou se expressa uma realidade mais abstrata. O signo determinativo que acompanhava a imagem constituía uma verdadeira comunicação em segundo grau, uma vez que esse signo informava diretamente o leitor...
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