Resenha-as metamorfoses da questao social

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AS METAMORFOSES DA QUESTAO SOCIAL – UMA CRONICA DO SALARIO (ROBERT CASTEL)

(Os dados obtidos foram filtrados a partir de fóruns/grupos de discussão disponíveis na internet e citado no inicio a correspondente fonte)

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20061006063429AAM9W9 f

Não se trata de uma discussão restrita às ciências humanas, mas de todo o campo do conhecimento que buscaproblematizar o trabalho como elemento estruturante da sociedade capitalista e como dispositivo que possibilita compreender a genealogia do indivíduo moderno.

Os conceitos de desfiliação, invalidação social, propriedade privada, propriedade social, sociedade salarial e propriedade de si, são discutidos de forma aprofundada e ganham força como categorias explicativas da dinâmica e da estruturasociais, assim como das bases sob as quais se estruturam os processos de subjetivação. Castel opta por uma problematização

essencialmente Durkheimiana, ou seja, discutir genealogicamente como o trabalho assalariado e os suportes sociais a ele associados permitiram, na sociedade salarial , a integração e a coesão social.

Na argumentação de Castel, a sociedade salarial é a forma mais avançadade democracia da história ocidental. Foi através dos suportes sociais

garantidos pela condição de assalariado que o indivíduo moderno tornou-se um indivíduo positivo, ou seja, cuja existência não é assegurada somente pela capacidade de vender sua força de trabalho, mas pelo quinhão de propriedade social ao qual tem acesso.

A condição de assalariado permitiu uma relativa desmercantilizaçãodas relações de trabalho. As relações de trabalho foram estruturadas na sociedade salarial em torno de instituições do Estado que garantiram os suportes sociais materializados na legislação trabalhista e na legislação social que instituíram o direito à aposentadoria, ao seguro desemprego e à assistência à saúde (compreendidos contemporaneamente sob a denominação genérica de Seguridade Social), porexemplo.

A configuração da sociedade sob a forma salarial, assim como a afirmação do papel central do Estado Social foi consolidada, essencialmente, no período posterior a Segunda Guerra Mundial na Europa Ocidental, os chamados trinta gloriosos. Entretanto, a possibilidade da construção de uma sociedade de indivíduos com direitos iguais (semblables) está genealogicamente situada, do ponto devista econômico, no século XIV com o surgimento do capitalismo mercantil em cidades como Veneza e, politicamente, no século XVIII com os ideais da Revolução Francesa.

Segundo Castel, Locke e, posteriormente, Adam Smith, são os primeiros autores a descrever e discutir as implicações da separação entre propriedade e trabalho, reconhecendo a centralidade do trabalho e do mercado na estrutura e nadinâmica da sociedade. Castel se utiliza também da distinção apresentada por Luis Dumont (1985) entre as sociedades holistas e as sociedades individualistas para explicar a passagem de uma relação rígida entre as

pessoas (hierarquia própria às sociedades holistas) para uma relação entre as coisas (que marca o nascimento das sociedades individualistas), na qual a mobilidade das pessoas naestrutura social torna-se possível. Ou seja, o indivíduo "no mundo" (diferentemente do indivíduo "fora do mundo" como tomado pelo cristianismo durante o Feudalismo) surge a partir do momento em que os homens deixam de ser heterodeterminados pela posição na estrutura social ou pelo lugar determinado pela religião. No mundo ocidental é a passagem do Feudalismo para o Capitalismo que assinala estátransformação estrutural fundamental. A Revolução Francesa é o acontecimento político que marca a criação de uma sociedade de indivíduos. Entretanto, apesar da proclamação de direitos políticos igualitários, as condições sociais para seu gozo estavam ausentes. É somente durante o século XX, a partir da regulamentação do contrato de trabalho, que o indivíduo passou a ser protegido pelos suportes sociais...
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