Raul prebisch

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  • Publicado : 28 de junho de 2012
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O desenvolvimento econômico da América Latina e seus principais problemas

Para Prebisch, há uma clara separação entre países centrais e países periféricos. Entretanto, ele faz questão de frisar que não discorda da validade da teoria econômica tradicional e aceita a idéia dos benefícios advindos da divisão internacional do trabalho. Segundo essa teoria, o fruto do progresso técnico tende a seespalhar por todos os países participantes do comércio internacional, seja sob a forma de redução dos preços dos produtos, ou pelo aumento da renda dos trabalhadores e empresários. O problema em se aplicar esta teoria, para o caso dos países da periferia, está em considerá-los como iguais aos do centro.
Segundo o autor, esta teoria funcionaria muito bem entre os países centrais, porém ao incluiros países periféricos na divisão do trabalho, o que se percebe é que os benefícios dessa divisão e os ganhos de produtividade oriundos dela não chegariam aos últimos. A solução encontrada pelo autor, para o caso dos países periféricos, seria a industrialização, como forma de captar os frutos do progresso técnico e, dessa forma, aumentar o padrão de vida das massas.
Após chamar a atenção para anecessidade de se abordar os problemas da industrialização latino-americana sob a ótica local, o autor aponta o primeiro problema, que diz respeito à escassez de dólares. Segundo Prebisch, o processo de industrialização da América Latina necessitaria de importações de bens de capital, principalmente vindos dos Estados Unidos. A maneira pela qual os países latino-americanos conseguiriam dólares parapagar essas importações seria através da exportação e, ao mesmo tempo, contar com o crescimento do coeficiente de importação dos Estados Unidos. Nesse aspecto, o comércio exterior seria fundamental para os países periféricos na medida em que contribuiria para o aumento da produtividade dos seus produtos de exportação, o que traria mais dólares para importar bens de capital fundamentais ao processode industrialização.
Da mesma forma, Prebisch identifica os investimentos estrangeiros como fundamentais a industrialização. O serviço desses empréstimos teria de ser pago com moeda estrangeira. A sugestão do autor seria a de que se direcionassem os investimentos estrangeiros para atividades produtivas que reduzissem as importações dos países periféricos e, dessa forma, liberassem dólares para opagamento dos serviços financeiros.
Segundo ele, os países latino-americanos, ao não seguirem à risca a política monetária ortodoxa e aumentarem demasiadamente o meio circulante, levaram a inflação ao extremo. A conseqüência dessa inflação, levando-se em conta o elevado nível de emprego que ela provoca, foi uma redistribuição de renda que aumentou as importações e pressionou a balança depagamentos dos países periféricos, sem que se tivesse sido atendida a demanda de bens de capital necessária ao desenvolvimento econômico.
O autor salienta que apesar de não haver dúvida quanto à insuficiência da poupança espontânea dos países periféricos para a capitalização, o artifício da inflação como promotor dessa formação de capital seria incerto. Isto porque a modalidade de consumo de bensimportados, estimulados pela inflação tenderiam a substituir a importação dos bens de capital. Seria justamente a poupança desses setores da coletividade que juntamente com os investimentos estrangeiros deveriam conduzir a um primeiro esforço de capitalização que aumentasse a produtividade do trabalho. Esse aumento se daria com a transferência da mão de obra redundante na produção primária, dossubempregados urbanos e da mão de obra feminina para as novas indústrias. O capital investido nessas novas indústrias teria que ser eficiente porque Prebisch tinha em mente um processo de industrialização para América Latina que aumentasse o bem estar das massas e não simplesmente substituísse as importações dos países centrais.
Uma industrialização teria limites, segundo ele; um desses limites seria...
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