Psicologia na fisioterapia

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Relação fisioterapeuta-paciente e a integração corpo e mente:Um estudo de caso

Relação fisioterapeuta-paciente
Desde muito tempo, estuda-se a relação entre corpo e alma. Inicialmente, o corpo foi considerado exclusivamente instrumento da alma, mas, com o dualismo cartesiano, corpo e alma passam a ser considerados duas substâncias diferentes e independentes. Essa forma de pensar influenciou einfluencia até hoje o pensamento médico-científico ocidental, que passa a conceber o corpo fragmentado em duas partes : fisiológico e psicológico, destinando a diferentes especialistas o cuidado de cada uma de suas partes . Nasce, aqui, a dificuldade da fisioterapia em considerar a dialogia corpo mente, com implicação direta na relação fisioterapeuta-paciente.
Para o fisioterapeuta, tratar opaciente representa, muitas vezes, uma rotina: ele já está familiarizado com as doenças, seus sintomas, as reações dos pacientes e as restrições do tratamento, o que o leva a preocupar-se somente com a solução da queixa física do paciente. Expectativas e emoções diante da limitação física e do próprio tratamento não são, comumente, consideradas relevantes pelo profissional para o sucesso dotratamento. É preciso considerar que a experiência de estar próximo ao sofrimento de outros (in)sensibiliza os profissionais que, por vezes, se recusam a conhecer as circunstâncias de vida do paciente, evitando o confronto com seus sentimentos, isso talvez pela crença de que sua formação profissional não abarque esses possíveis aspectos da vida humana (Boesch, 1977), o que é legitimado, em parte, pelaestrutura curricular dos cursos de formação profissional. Existe também a idéia – compartilhada por pacientes, familiares e profissionais – de que o afastamento emocional é facilitador da objetividade que acompanha a competência para a cura. Assim, conforme Boesch, o profissional desenvolve mecanismos de defesa que, dentre outras consequências, tenderão a substituir o indivíduo pelo caso clínico,convertendo a relação fisioterapeuta paciente em mais uma experiência técnica, reforçando o pensamento dicotômico corpo mente e favorecendo o caráter rotineiro da atividade do profissional, ao evitar que ele se veja, a cada contexto socio emocional dos diversos pacientes, diante do desconhecido, do imprevisível, para o qual ele não se sente preparado.
Já para o paciente, as modificações decorrentes doprocesso de doença se iniciam antes de ele procurar o profissional. O paciente passa por um período – de duração variada – entre os primeiros sinais da doença e a rendição em aceitar o papel de doente, papel esse que tem seu significado variável de acordo com a cultura na qual o indivíduo se insere, podendo ser visto como fraqueza e equiparado ao fracasso, o que causa transtornos sociais,econômicos e emocionais e envolve o paciente e também sua família (Boesch, 1977). Portanto, nesse período, ele busca preservar sua autonomia funcional, tentando superar e minimizar a importância dos sintomas. Assim, para o paciente, a doença não é um fato corriqueiro, com manifestações conhecidas e soluções previsíveis, mas uma ameaça à sua integridade, não apenas física mas também psicossocial, o que lheimpõe um olhar intuitivamente mais integrado quanto à relação corpo-mente.
Nessa perspectiva, os papéis do fisioterapeuta e do paciente são construídos com base nas elaborações cognitivo-afetivas pessoais das sugestões culturais. Essa construção é um processo interativo que evidencia a assimetria inerente às relações sociais em geral. Da parte do profissional, inclui a elaboração de mensagensculturais com relação ao que é esperado da pessoa que ocupa aquele lugar: estabelecimento de regras, regulação de experiências e direção de comportamentos. São expectativas exigentes, mas prazerosas, porque propiciam algum sentimento de poder. Já o papel de paciente exige colocar-se no lugar de doente, o que é pouco prazeroso e bastante ameaçador.
A relação fisioterapeuta-paciente denota, então,...
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