Psicologia na fisioterapia

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  • Publicado : 2 de março de 2013
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RESUMO
A relação fisioterapeuta-paciente é usualmente caracterizada por momentos de tensão, originados da co-existência de seus diferentes mundos subjetivos, constituídos por concepções e valores diversos, incluindo-se aqueles atinentes à relação corpo-mente. Neste artigo, abordamos, através de relato de pesquisa com delineamento de estudo de caso, algumas das questões relacionadas às tensõesintersubjetivas nesse contexto. Apresentaremos resultados da análise do diálogo entre uma fisioterapeuta e sua paciente que evidenciam suas perspectivas conflitantes quanto à relação corpo-mente, com desdobramentos específicos para o processo terapêutico assim como para aspectos gerais da vida cotidiana e profissional das participantes da relação. A análise do diálogo também evidenciou que a buscapela solução dos conflitos gerou, em alguns momentos, novas perspectivas na abordagem das participantes quanto aos temas dos diálogos e à própria relação fisioterapeuta- paciente. Pensamos que a reflexão e discussão desses aspectos nos campos da interdisciplinaridade entre Psicologia e fisioterapia podem gerar novas perspectivas de abordagem das relações envolvidas nesses contextos de atuaçãoprofissional.
Palavras-chave: Diálogo, Construção de conhecimento, Psicologia, Fisioterapia


Apesar de o avanço cultural e tecnológico ter possibilitado a cura para muitas patologias, notam-se, ainda, freqüentes discussões sobre as dificuldades para se dar conta das múltiplas demandas da relação profissional-paciente. No intuito de colaborar para essa discussão, destaca-se o objetivo destapesquisa: abordar, através de um estudo de caso, algumas das questões relacionadas às relações corpomente nesse contexto dialógico, buscando contribuir para discussões interdisciplinares entre pesquisadores e profissionais de ambas as áreas envolvidas, no sentido de gerar novas perspectivas de abordagem dessas relações.

Relação fisioterapeuta-paciente
Desde muito tempo, estuda-se a relação entrecorpo e alma. Inicialmente, o corpo foi considerado exclusivamente instrumento da alma, mas, com o dualismo cartesiano, corpo e alma passam a ser considerados duas substâncias diferentes e independentes. Essa forma de pensar influenciou e influencia até hoje o pensamento médico-científico ocidental, que passa a conceber o corpo fragmentado em duas “partes”: fisiológico e psicológico, destinando adiferentes especialistas o cuidado de cada uma de suas “partes”. Nasce, aqui, a dificuldade da fisioterapia em considerar a dialogia corpomente, com implicação direta na relação fisioterapeuta-paciente.
Para o fisioterapeuta, tratar o paciente representa, muitas vezes, uma rotina: ele já está familiarizado com as doenças, seus sintomas, as reações dos pacientes e as restrições do tratamento, o que oleva a preocupar-se somente com a solução da queixa física do paciente. Expectativas e emoções diante da limitação física e do próprio tratamento não são, comumente, consideradas relevantes pelo profissional para o sucesso do tratamento. É preciso considerar que a experiência de estar próximo ao sofrimento de outros (in)sensibiliza os profissionais que, por vezes, se recusam a conhecer ascircunstâncias de vida do paciente, evitando o confronto com seus sentimentos, isso talvez pela crença de que sua formação profissional não abarque esses possíveis aspectos da vida humana (Boesch, 1977), o que é legitimado, em parte, pela estrutura curricular dos cursos de formação profissional. Existe também a idéia – compartilhada por pacientes, familiares e profissionais – de que o afastamento emocionalé facilitador da objetividade que acompanha a competência para a cura. Assim, conforme Boesch, o profissional desenvolve mecanismos de defesa que, dentre outras consequências, tenderão a substituir o indivíduo pelo caso clínico, convertendo a relação fisioterapeutapaciente em mais uma experiência técnica, reforçando o pensamento dicotômico corpomente e favorecendo o caráter rotineiro da...
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