Projetos urbanos: operando nas bordas

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  • Publicado : 9 de outubro de 2012
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Projetos urbanos: operando nas bordas (1)
Carlos Leite

Fragmentos
O trabalho aborda alguns aspectos acerca das incríveis contradições atualmente presentes no território do São Paulo – as mutações urbanas – e também uma discussão a partir de alguns projetos urbanos que enfocam estes novos desafios apresentados na cidade contemporânea. Estes projetos operam nas condições-limite do territóriometropolitano fragmentado, suas bordas: vazios urbanos, terrain vague, brownfields (3).
Estas fortes mutações territoriais emergiram na cidade pós-industrial, mais enfaticamente após a reestruturação da economia espacial nas últimas décadas. O declínio industrial gerou o esvaziamento de áreas urbanas inteiras. O território metropolitano tornou-se depositário de enormes transformações e abandono edesperdício urbanos tornaram-se particularmente evidentes na fábrica urbana atual: zonas industriais sub-utilizadas, armazéns e depósitos industriais desocupados; edifícios centrais abandonados; corredores e pátios ferroviários e industriais desativados.
Os projetos urbanos apresentados foram desenvolvidos ao longo da orla ferroviária de São Paulo sob o contexto desta condição territorialfragmentária típica e operam na aproximação com os conceitos aqui discutidos.
Neste sentido, uma breve análise acerca do processo de transformação territorial da metrópole paulistana é apresentada através de alguns comentários, números e imagens: uma visão geral do território sob mutação, um panorama da metrópole fragmentada e contraditória.
São Paulo: mutações
Números |   |
População | 17 milhões|
Área | 1.509 km2 |
Densidade | 11.600 hab/km2 |
Participação no PIB nacional | 45% |
% população brasileira | 10,5% |
Crescimento populacional | 0,5% por ano [5% na década de 70] |
População em 1900 | 0,2 milhões [cresceu 27.000% em 100 anos] |
População estimada para 2015 | 20,7 milhões |
Crescimento da área urbana | 40.000% em 100 anos |
% população vivendo em favelas | 20%[1,3% em 1973] |
Rede de metrô | 49,5 km [3,5 milhões pas./dia] |
Rede ferroviária | 270 km |
Rede de ônibus | 11.000 unidades [3,5 milhões pas./dia] |
Número de veículos | 5,1 milhões |
Taxa de mortalidade | 35 por 100.000 |
São Paulo é hoje paradigma da metrópole local no mundo global. A um só tempo, cidade mundial ligada às redes globais e cidade local, onde o espaço banal se traduzinjusto e desqualificado. É, assim, depositária de um território urbano que retrata fielmente, com todas as suas contradições de nosso tempo, a sociedade contemporânea (4).
Vivemos a era da transformação acelerada. A dinâmica territorial nunca foi tão dramaticamente percebida na história das cidades. A arquitetura insere-se neste contexto sofrendo mutações em todas as escalas. A metrópolematerializa no seu território fragmentado os pontos de ruptura e de falta de urbanidade.
As conseqüências das rápidas transformações da metrópole pós-industrial são variadas, heterogêneas. Complexas. Emergem nas cidades espaços desqualificados, resíduos de antigas áreas produtivas: terrenos vagos, disfunções urbanas (5).
Assim, as transformações na arquitetura estão presentes no âmbito do território evice-versa. Ou, conforme Milton Santos, “...as grandes contradições de nosso tempo passam pelo uso do território” (6).
Na escala do edifício procede-se à transformação das funções. Geram-se adaptações demandadas pela dinâmica da sociedade local e do território envoltório. Edificações de uso histórico com funções ultrapassadas são reconvertidas funcionalmente e adaptadas espacialmente aos novosusos. Surgem as reciclagens arquitetônicas.
No âmbito das cidades, vive-se o momento da transformação do território existente. Diferentemente de outras épocas onde a transformação da cidade gerou processos de renovação urbana impositivos [os projetos modernistas do tipo tabula rasa] ou revitalização de centros históricos cenográficos [os projetos pós-modernistas típicos das décadas de 70 e 80 com...
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