Portugues

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Curso de Técnico de Higiene e Segurança no Trabalho e Ambiente

Ano Letivo 2012/2013

Prova de Recuperação de Português

- Poema de Fernando Pessoa D. João O Primeiro

Sétimo (I)

D.João O Primeiro

O homem e a hora são um só
Quando Deus faz e a história é feita.
O mais é carne, cujo pó
A terra espreita.

Mestre, sem o saber, do Templo
Que Portugal foi feito ser,
Que houveste aglória e deste o exemplo
De o defender.

Teu nome, eleito em sua fama,
É, na ara da nossa alma interna,
A que repele, eterna chama,
A sombra eterna.

12-2-1934
Lusíadas: C. IV, E. 1-50 (especialmente E. 4)

Análise do título

Aclamado Rei de Portugal em 1385, D. João era ‘’Mestre de Avis’’. Em 1383, com 28 anos, D. João tinha morto o Conde Andeiro, pondo fim a uma conspiração nacorte que pretendia entregar o trono português a Espanha. Mais foi reforçado esse desejo de independência, quando em 14 de agosto de 1385, as tropas comandadas pelo seu Condestável Nuno Alvares Pereira derrotaram os espanhóis. Valeu a D. João, pela coragem e determinação, o cognome de O de Boa Memória.
Divide Fernando Pessoa o número Sétimo em duas partes (I e II).
Esta divisão deve-se ao facto dea parte II do Sétimo ser dedicada à esposa de D. João I, D. Filipa de Lencastre, e Pessoa ter achado por bem, incluir ambos num mesmo número, mas em duas partes distintas. Isto porque de ambos surge a que foi denominada de Ínclita Geração.

Análise estilística
Métrica
- 3 Quartetos. Os primeiros três versos de cada
estrofe têm 8 sílabas e o último 4.

Esquema rímico
- Rima cruzada.
-Número de versos 12

Observações
Uso de discurso silogístico dedutivo (1.ª estrofe é a premissa maior, a 2.ª a premissa menor e a 3.ª é a conclusão); uso do verbo fazer na voz activa e passiva; uso de metáforas (por ex. “Mestre (…) do Templo” e “ara da nossa alma”); uso de perífrase (sobretudo na 3.ª estrofe).

Análise linha a linha

- Primeira estrofe

O homem e a hora são um só
O homem achao seu Destino.
Quando Deus faz e a história é feita.
Quando faz grandes acções e constrói – por intermédio divino –
a História.
O mais é carne, cujo pó
O resto da vida é só carne, pó.
A terra espreita.
Pó é do que a terra é feita, e é indistinto dela,
não tem significado, nobreza especial.

Análise contextual

D. João I aparece num momento decisivo da história de Portugal, em que aindependência estava em grande perigo. As suas acções, nomeadamente no controlo da revolta que nascera entre os nobres de Portugal, serviram para que Portugal mantivesse a sua independência de Espanha. “O homem e a hora são um só”, quer dizer que em dado momento, certos homens acham o seu Destino, a sua razão de ser na História. Isto embora esses homens operem as suas acções controlados por quem fazo seu Destino (“Deus faz e a história é feita”). O resto “é carne”, “pó” que a “terra espreita”, ou seja, tudo o resto não é feito da mesma vida, não tem o mesmo significado.

- Segunda estrofe

Mestre, sem o saber, do Templo
Mestre inconsciente de Portugal.
Que Portugal foi feito ser,
De um Portugal maior, símbolo maior de outro Destino.
Que houveste a glória e deste o exemplo
Deu D.João I grande exemplo de coragem e patriotismo.
De o defender.
Quando decidiu agir para defender Portugal.

Análise contextual

Fernando Pessoa joga com as palavras “Mestre de Avis” e “Mestre do Templo”. D. João I era Mestre (líder, dirigente) da Ordem de Avis, e a Ordem de Avis era uma ordem religiosa militar de cavaleiros portugueses. Quando Pessoa fala em “mestre (…) do Templo”, pretendeevocar que D. João I, sendo Mestre da Ordem de Avis, era também, mas “sem o saber”, Mestre da Ordem do Templo – Os Templários 44. Claro que esta é uma referência hermética deliberada, porque Portugal esteve sempre muito ligado aos Templários e os Templários foram grandes divulgadores do pensamento hermético cristão nos territórios onde se estabeleciam. Numa nota biográfica datada de 1935 Pessoa...
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