Por que dialogar?

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  • Publicado : 15 de novembro de 2012
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Por que dialogar?
Segundo o Prof. William Isaacs, autor do livro Dialogue and the art of thinking together (publicado em
1999), o diálogo põe em ação a nossa inteligência coletiva, fazendo-nos pensar para além dos limites
individuais.
Esta definição é extremamente relevante para a atual realidade das empresas. O conhecimento não é
mais propriedade exclusiva de uma única pessoa ou de um gruporestrito que, detendo e interpretando
as informações, decretavam ordens a serem cumpridas e ponto final. Hoje, as informações estão
acessíveis a todos. São a matéria-prima com que todos temos de lidar para, compartilhando
pensamentos e visões de mundo, criar produtos e serviços, descobrir soluções criativas, preparar-se
para novos desafios.
Uma característica essencial do diálogobem-sucedido é a sua capacidade de criar entre os dialogantes
novos modelos mentais. Uma organização aprende quando aperfeiçoa a prática dialogal e, nessa
prática, suscita novas visões do mundo. Este aperfeiçoamento implica que as pessoas precisam
conviver com a indagação coletiva, libertando-se de posturas rígidas ou mecânicas, marcadas pela
desconfiança, pelo medo, pela arrogância e por outrossentimentos que tornam inúteis e improdutivas
muitas conversações.
Sendo o diálogo uma ferramenta com a qual descobrimos os conteúdos da consciência e abrimos
espaço para a manifestação de novas realidades, é fundamental encará-lo como uma questão estratégica
de suma importância. E que, portanto, merece ser tratada como prioridade.
“Patologias” conversacionais
Muitas conversas dentro da empresadeixam de realizar a característica fundamental de um diálogo —
a de ser um processo de intercâmbio vivo entre pessoas. São as famosas conversas entre surdos, como
na conhecida piada em que dois amigos se encontram:
— Você está indo pescar?
— Não, eu estou indo pescar.
— Ah, bom, pensei que você estivesse indo pescar!
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Tais conversas são monólogos em que, presos a suposições, tornamo-nosincapazes de ouvir os outros.
É comum que as pessoas, julgando saber exatamente o que a outra vai dizer, comecem a pensar em
respostas, como se estivessem interpretando o roteiro de um filme a que todos já assistiram dezenas de
vezes. Não há espaço para a improvisação, para a criatividade, para a percepção de facetas inusitadas
de questões aparentemente esgotadas e (mal) resolvidas.
É precisoenfatizar que um diálogo autêntico não dissimula as opiniões divergentes nem promove a
ilusão de que todos estão de acordo. Muitas reuniões são estéreis e desgastantes porque seus
participantes ocultam o que de fato pensam... até que saiam da sala e, nos corredores, exponham suas
idéias, façam seus “comentários” (para usar uma palavra benévola), em conversas particulares que,
mais tarde, gerammal-entendidos, conflitos e rancores, ou, no mínimo, uma dispersão de forças que
bloqueia a consecução dos objetivos da empresa.
Outra “patologia” da conversação mal construída é aquela em que nos colocamos na defensiva perante
idéias que consideramos de antemão ameaçadoras. Como se estivéssemos a ponto de ser agredidos,
reagimos com palavras hostis, ou utilizamos cortinas de fumaça (frasesevasivas, observações
ambíguas, argumentos complicados...), fugindo assim de uma reflexão profunda sobre o que realmente
está em jogo.
As interações conversacionais em que todas as respostas estão prontas também refletem uma
concepção de mundo limitada, fechada ao novo. É necessário, portanto, tomarmos consciência dos
hábitos de pensamento arraigados em nossa maneira de conceber o mundo e, aotomar consciência,
dispor-nos a ver a realidade extra-mental sem pensamentos que a restrinjam antecipadamente.
Nestes e em outros exemplos, nota-se que onde predomina o isolamento, por mais que a retórica
dominante enalteça o espírito de equipe, esse espírito é um fantasma. A falta de um diálogo generativo,
de uma confiança real na inteligência coletiva e solidária, revela que, na verdade, não...
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