Pobreza

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  • Publicado : 12 de outubro de 2011
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NINGUÉM É DE NINGUÉM
ZÍBIA GASPARETTO
DITADO PELO ESPÍRITO LÚCIUS
ÍNDICE

CAPÍTULO 1
CAPÍTULO 2
CAPÍTULO 3
CAPÍTULO 4
CAPÍTULO 5
CAPÍTULO 6
CAPÍTULO 7
CAPÍTULO 8
CAPÍTULO 9
CAPÍTULO 10
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
CAPÍTULO 13
CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 15
CAPÍTULO 16
CAPÍTULO 17
CAPÍTULO 18
CAPÍTULO 19
CAPÍTULO 20
CAPÍTULO 21
CAPÍTULO 22
CAPÍTULO 23
CAPÍTULO 24
CAPÍTULO 25CAPÍTULO 26
CAPÍTULO 27
CAPÍTULO 28
CAPÍTULO 29
Capítulo 1

Roberto chegou em casa confuso, irritado, batendo a porta com força. Naquele dia fora submetido a um processo de autodestruição e pensava raivoso:
“Isso não vai ficar assim. Não posso tolerar ter sido feito de bobo pela pessoa em quem mais confiava. Quem poderia imaginar que, depois de me alisar a vaidade com elogios etapinhas nas costas, ele acabasse por me apunhalar sem dó nem piedade?”
Dentro da sala espaçosa, decorada com simplicidade e sem muitos adornos, ele andava de um lado para outro, como fera acuada, dando vazão a seu mau humor e a sua revolta.
Sentia a cabeça pesada, doendo, como se a testa estivesse sendo apertada sem cessar por um círculo de ferro. Seu estômago queimava, e o almoçoque engolira rapidamente havia mais de cinco horas ainda não tinha sido completamente digerido, provocando de vez em quando uma sensação de azedume em sua garganta.
Foi ao banheiro e procurou um vidro de sal de frutas. Depois dirigiu-se à cozinha, colocou água num copo e despejou um pouco do remédio, ingerindo-o em seguida. Sentiu um arrepio no corpo e fez uma careta desagradável.
Seao menos o mal-estar passasse! Ele precisava se acalmar. Havia uma situação difícil para enfrentar, e Roberto precisava estar com saúde. Tinha família para sustentar. Dois filhos na escola: Maria do Carmo com cinco anos e Guilherme com sete. Ele fora contra a idéia de enviar Maria do Carmo para a escola aos dois anos de idade. Mas Gabriela trabalhava e não queria deixar o emprego de forma alguma.Quando se casaram, oito anos atrás, ele se empenhou de todas as formas para que ela deixasse a empresa onde trabalhava como secretária. Afinal, ele havia montado um negócio próprio que lhe rendia bom dinheiro. Mas Gabriela foi irredutível. Não ia largar o emprego do qual tanto gostava. Ela dava muito valor à sua independência e gostava de ganhar o próprio dinheiro.
Roberto nãoconcordava com isso. Mulher casada precisava tomar conta do lar. Ele tinha condições de arcar com as despesas. No fundo, sentia ciúme. Saber que Gabriela, todos os dias, durante a maior parte do tempo, estava em companhia de outros homens, chegava a tirar-lhe o sono.
Apaixonara-se por ela desde o primeiro dia. Alta, cabelos louro-escuros, olhos verdes, boca carnuda e vermelha, corpo elegante ebem-feito, pele cor de pêssego levemente rosada, Gabriela representava para ele o máximo da atração.
Quando, depois de muita insistência, ela aceitou sair com ele pela primeira vez, Roberto sentiu-se o homem mais feliz do mundo. Namoraram durante dois anos. Ele confiava nela. Era moça honesta e de bom comportamento. Porém percebia claramente o quanto ela despertava a atenção masculina quandopassava indiferente, desfilando sua beleza.
Ele fez de tudo para que ela desistisse de trabalhar depois do casamento. Mas ela foi taxativa:
— Não sou o tipo de mulher dependente. Trabalho desde os quinze anos. Eu me sentiria muito mal se tivesse que depender do seu dinheiro. Sou competente para cuidar de mim. Depois, não gosto dos trabalhos domésticos. Não tenho jeito para certos serviços.Por isso, vou continuar trabalhando depois do nosso casamento. Esse é para mim um ponto muito importante.
— Pense em mim, em como vou ficar nervoso imaginando você lá, junto com todos aqueles homens. Tenho certeza de que muitos dão em cima de você mesmo sabendo que é cómprometida.
Imagino o que farão depois que for casada!
Gabriela fulminou-o com o olhar:
— Estou com você porque o...
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