Pero vaz de caminha

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A literatura informativa dos cronistas ou viajantes do século XVI

e a literatura do século XX



IMPORTÂNCIA ATUAL DA LITERATURA DOS VIAJANTES:

1 - HISTÓRICA

Os textos dos cronistas ou viajantes do século XVI são produções que despertam interesse como reflexo da visão do mundo e da linguagem dos primeiros observadores do país. Representam um testemunho do seu tempo. São deimportância histórica inestimável.



2- LITERÁRIA

2.1 - Embora tenham sido escritas com objetivos informativos, apresentam qualidades literárias. Há, nesses textos, um tratamento da linguagem próximo da função poética.[1]



Em momentos importantes da nossa história literária, o escritor brasileiro recorreu à literatura dos viajantes em busca de informações ou de sugestões temáticas eformais.

No ROMANTISMO, textos dos cronistas serviram de fontes de informação para os indianistas Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias e José de Alencar, fornecendo-lhes subsídios sobre a cultura indígena.

No “Pós-escrito” a Iracema, José de Alencar cita, entre outros autores, Gabriel Soares (Tratado descritivo do Brasil) como fonte informativa sobre os costumes indígenas descritos noromance.



A partir do MODERNISMO (1922),quando o escritor brasileiro procurou reagir contra a influência européia, os textos dos cronistas e a cultura indígena foram estudados na ânsia de encontrar um Brasil original e autêntico. Principalmente os modernistas da Primeira Geração (1922-1930), foram buscar na literatura dos viajantes sugestões temáticas e formais para os seus textos.

A Cartaa el-rei Dom Manuel de Pero Vaz de Caminha é um dos textos de informação que tem sido bastante explorado por poetas e prosadores do século XX.

Como exemplo de escritores que criaram textos paródicos[2] a partir da Cartapodem ser citados: Oswald de Andrade, com o livro de poemas Pau-Brasil de 1925; Mário de Andrade - Macunaíma (1928); Murilo Mendes - História doBrasil (1932) e AutranDourado - A barca dos homens (1961) entre muitos outros . Como exemplo de paráfrase[3]temos o poema Martim Cererê de Cassiano Ricardo (1928).





FRAGMENTOS DA CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA

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E assim seguimos nosso caminho, por este mar de longo, atéque terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra, estando (distantes) da dita Ilha - segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas - os quais (sinais) eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, e assim mesmo outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a quechamam furabuchos.

Neste mesmo dia a horas de véspera, houvemos vista de terra!

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[...] E eles os índios entraram. Mas nem sinal e cortesia fizeram, nem de (querer) falar ao Capitão; nem a alguém [...]

Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão trazconsigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali.

Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso dele.

Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam por a mão. Depois lhe pegaram, mas comoespantados.

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Estaterra, Senhor, parece-me que, [...] será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras, umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia. .muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender...
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